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Baptista-Bastos

Patifarias gerais

Deve-se a Passos a supressão da democracia com a imposição de normas sob o nome de "austeridade".

Baptista-Bastos 24 de Fevereiro de 2016 às 00:30
Com aquela voz castigada e o gesto teatral que se lhe conhecem, o dr. Passos Coelho declamou que é social-democrata, sempre o foi e sempre o será. Esqueceu-se de referir o prazo em que foi estrénuo militante da juventude comunista. A omissão tem importância relativa, mas fornece o retrato de um homem que, pela vida adiante, tem-se desviado da verdade com habilidosos desvios.

Almocei com ele uma vez, patrocinado pelo meu saudoso amigo Luís Fontoura, a quem disse, depois, que ao sujeito faltava genuinidade, e a frequência de alguns livros fundamentais. Luís Fontoura libertou um daqueles risos largos e sonoros que marcavam o seu espírito e assinalavam a sua invulgar inteligência, e respondeu: "Vai melhorar." Não melhorou. O exercício do poder talvez incite à mentira proliferante, porém não gratifica o carácter nem abona da integridade dos seus praticantes.

O homem afável, de bom perfil e voz de tenor, tripudiou sobre o conceito de social-democracia, e fez rumar o seu partido para as águas residuais em que navega uma direita desconchavada ou, como disse, em tempos, Marcelo Rebelo de Sousa: "A direita portuguesa é a mais estúpida da Europa." Não desminto o neo-Presidente; mas sei, ah!, se sei!, das malfeitorias que ela tem executado no nosso país. Deve-se-lhe o amordaçamento do pensamento livre, durante anos e anos pesados e trágicos, e a Pedro Passos Coelho a supressão da democracia com a imposição de normas restritivas, sob o nome de "austeridade".

No breviário da patifaria estavam inscritos despedimentos, cortes nos salários, nas pensões e nas reformas; desemprego em massa; êxodo de uma juventude mandada embora não só pelo próprio Passos Coelho mas, também, pelo inexcedível Miguel Relvas; abandono do interior e benefícios aos ricos e poderosos. E tem este homem o descoco de falar em democracia. Haja Deus e haja Freud!
Passos Coelho Luís Fontoura Marcelo Rebelo de Sousa Pedro Passos Coelho Miguel Relvas
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