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Baptista-Bastos

Vamos a isto!

Chega a ser pungente o exercício de humildade utilizado pelos próceres do PSD.

Baptista-Bastos 28 de Outubro de 2015 às 00:30
Marco António Costa abandonou o tom peremptório com que costumava dirigir-se ao povoléu e, num registo quase mendicante, confessou estar ciente de que o PS reconsideraria e regressaria ao caminho certo. Chega a ser pungente o exercício de humildade utilizado pelos próceres do PSD neste estranho enleio de sedução ao Partido Socialista, quando alguma comunicação social insiste no facto de ainda não estar assinado o acordo das esquerdas.

A coligação e os seus sequazes perdem terreno e perdem a dignidade e a compostura nesta tentativa absurda de se salvar da queda inevitável. O cenário torna-se mais deprimente se lhe adicionarmos o patético discurso do Dr. Cavaco, mistura de ameaças e de desespero imprópria do cargo e das funções. Não é de estranhar, porém. Sobre ser o pior e mais tendencioso Presidente da Segunda República, o cavalheiro é de uma mediocridade havida e reconhecida.

O Dr. Marques Mendes disse, na SIC, o que todos já perceberam: o Dr. Cavaco não tem outro remédio senão o de indigitar António Costa como primeiro-ministro, logo-assim o programa de Pedro Passos Coelho seja objecto da anunciada rejeição, pelas esquerdas unidas. Mas estas esquerdas unidas merecem a nossa inquieta reflexão, e fugir aos problemas que suscitam não resolve coisa alguma.

Os partidos podem estar concordes nas questões comuns e em certas afinações políticas de carácter social. Contudo, as ideologias, aparentemente unas nos problemas nucleares, apresentam fissuras que o decorrer do tempo colmatará ou não. Estamos numa encruzilhada histórica tecida de fios muito ténues. Os seus protagonistas terão de abdicar de muitas bandeiras sem, contudo, abandonar as suas convicções mais fundas.

E o PCP tem, de novo, um papel crucial nesta união. O significativo é que não se trata de uma união de contrários, e aí talvez resida a sua força e a garantida da sua continuidade. O PCP não gosta de perder a hegemonia à esquerda, nunca gostou, e há quem afirme que essa tendência tem prejudicado a alteração do rumo da nossa história nos últimos quarenta anos. Tem, pelo menos, e não é pouco, facilitado esta mórbida ‘alternância’ sem ‘alternativa’, entre o PS e o PSD, ou seja: o rodízio da nossa desgraça. Talvez agora seja encerrado o ciclo da ‘apagada e vil tristeza’. Para sempre?
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