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Boss AC

Futebol de praia

Agora é pegar nos smartphones e tirar fotos das férias e das idas à praia para mostrar aos amigos.

Boss AC 31 de Maio de 2015 às 00:30
Acabou -se o mês de Maio. Vem aí o mês de Junho e com ele o Verão e o calor. Acabou-se a época dos protestos e vamos todos a banhos. Agora é pegar nos smartphones e tirar fotos das férias e das idas à praia para mostrar aos amigos. No futebol já está tudo decidido: já se sabe quem são os campeões, quem sobe e quem desce de divisão e já se fazem planos para a próxima época. Sei de casos de amigos que se desentendem ao ponto de cortarem relações por causa de desavenças futebolísticas.

Mas entretanto chega o verão e durante o tempo de interregno do campeonato são amigos outra vez. Desportivismo? O que é isso? Alguma doença que se apanha na fruta mal lavada? Para se saber ganhar é preciso saber perder.

Eu gosto de futebol e em adolescente cheguei a ser ferrenho. Agora já não. Entretanto cresci e vi o que a vida custa a ganhar e percebi que discutir sobre grandes penalidades mal marcadas ou golos anulados quando quem ganha as fortunas são os jogadores não é uma das minhas prioridades na vida.

Percebo a paixão do futebol ainda que tenha alguma dificuldade em perceber algumas atitudes movidas por essa mesma paixão. Como diz um amigo meu: "O futebol é um escape." Talvez seja.

Portugal é um país de treinadores de bancada. Toda a gente sabe qual a melhor táctica para se ganhar os jogos. Tal como na política. Toda a gente sabe o que é melhor para o País mas se as eleições calharem a um Domingo de sol, o melhor é ir para a praia e deixar que a abstenção ganhe as eleições.

Parece-me que as pessoas mais facilmente se juntam para celebrar um campeonato ou para protestar o mau desempenho da sua equipa do que se juntam para exigir melhores condições de vida e políticas justas.
Imaginemos como seria se as pessoas se manifestassem de forma tão efusiva e participativa com os assuntos do País, como os cortes nas reformas, na Saúde ou na Educação, como o fazem com o futebol. Seria interessante ver um debate parlamentar com 40 ou 50 mil pessoas nas bancadas a insultar os "jogadores". Já vejo o adepto mais impulsivo a gritar: "Baixa o IVA ó m*rd*so!"

Talvez este cenário seja mais difícil porque ao contrário do que acontece nos estádios, no parlamento não sabemos o nome da maioria dos "jogadores", nem quais as posições onde actuam e nem se consegue pôr as culpas no árbitro. E não há jogos viciados. Pois não?
Boss AC crónica paz & amor
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