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Piloto morre em corrida de motos no Estoril

Boss AC

‘Ganda’ filme

Os filmes estão muito previsíveis. O melhor está no trailer e depois o resto é encher chouriços. Há muitos clichés que confirmam esta afirmação.

Boss AC 15 de Fevereiro de 2015 às 00:30

Para exemplificar, vejam este filme: Ele, o bom, é polícia e foi suspenso pelo seu capitão. Mesmo sem arma nem distintivo, vai ter de agir por conta própria e descobrir quem o quer incriminar. Ele é um homem duro e com problemas com o álcool, mas tem um coração de manteiga. Manteiga implacável. Anos ao serviço duma agência secreta, ex-forças especiais, ainda apaixonado pela ex-mulher que não lhe perdoa as ausências das peças de teatro da filha de ambos.

Esperemos que ele não morra a poucos dias de se aposentar sem ter estreado o barco. Uma pombinha revelou que o seu ex-colega, movido por inveja e ganância, o traiu. Ele é incorruptível e não há dinheiro que o compre.

O confronto com o mau é inevitável e vai ao seu encontro num carrão emprestado que estava destrancado com as chaves na ignição. Chega e estaciona onde lhe apetece. Não há EMEL nem multas neste filme. Sai do carro e vê os maus a fugir. Se fosse um filme de terror o carro não pegava. Pegou.

Perseguição desenfreada pelas ruas da cidade. Os maus, armados com metralhadoras, por mais rajadas que disparem, nunca acertam nele, nem de raspão. O bom saca a pistola de seis balas, daquelas que disparam dezenas de tiros sem recarregar. Um tiro mata logo três ou quatro. Os maus crivam o seu carro de balas. Ele riposta. Até que um tiro desferido no depósito do carro dos maus provoca uma enorme explosão.

O mau sai do carro em chamas. Ferido e moribundo, mas ainda há tempo para jurar vingança. Nem que tenha de ressuscitar num filme de zombies. Pumba! Morreu! Eis que do nada aparecem outros dez maus. O bom está cercado mas como os maus são muito educados, atacam um de cada vez. O nosso herói bate em toda a gente e entre bofetadas, pontapés e cambalhotas lá se livra dos maus. Se fosse um filme indiano, antes, ainda teria de dançar ‘La Macarena’.

O bom vira as costas e segue o seu caminho. Tudo o que ele quer é chegar a casa, sentar-se no sofá e ver a ‘Casa dos Segredos’. Calma! Not so fast! Afinal o mau não morreu e tem uma arma apontada ao herói indefeso. Ouve-se um tiro. O herói continua de pé. Quem morre é o mau. Ei-la: linda e penteada, a boa de arma em punho. Foi ela que disparou. Correm para os braços um do outro em câmara lenta e a música de fundo é de saxofone.

No cinema chamam-lhe sexofone. Mas isto não é cinema pornográfico. Aliás, os filmes porno mereciam uma crónica inteira mas eu nunca vi nenhum hoje por isso não posso opinar.

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