Barra Cofina

Correio da Manhã

Colunistas
Piloto morre em corrida de motos no Estoril

Boss AC

Livro de elogios

É bom ver as nossas qualidades enaltecidas.

Boss AC 23 de Agosto de 2015 às 00:30

Esta semana acendeu-se uma luz de aviso no carro e tive de o levar à oficina. Quando lá cheguei os senhores da recepção disseram-me que fechavam em 20 minutos e que tinha de fazer uma marcação para voltar no dia seguinte. Expliquei-lhes que tinha compromissos e que necessitava urgentemente do carro. Perguntei se não podiam pelo menos ver se era algo grave que me impedisse de o usar. Acederam e levaram o carro. Poucos minutos depois estava feito. Tratava-se apenas de uma pequena falha que foi prontamente resolvida. Com boa vontade, tudo se resolve. Foram muito prestáveis e simpáticos.

Agradeci o gesto e fiz-me à estrada. Pelo caminho pensei: será que há um livro de elogios como há um livro de reclamações? É que somos sempre tão rápidos a reclamar e raramente nos lembramos de elogiar quando somos bem servidos. Diz-se que um cliente satisfeito diz a uma pessoa, o cliente insatisfeito diz a cem (atenção que 80% das estatísticas são inventadas na hora).


Quando, por exemplo, vou a um restaurante e sou bem servido, a comida até me sabe melhor. Ou quando vou às Finanças e sou bem tratado, as multas até me sabem melhor. Bem, neste caso talvez não se aplique. É preciso cuidado com as generalizações, mas acho que podemos concordar com o seguinte: o português gosta de reclamar. Se tem ou não razão, isso já é outra conversa.


Se a DECO fosse um partido político, com tanta gente a reclamar neste país, ganharia todas as eleições. Com certeza há muitas coisas que precisam de mudar para melhor, mas também há muita coisa que é preciso enaltecer. Acontece que é mais fácil ver defeitos do que virtudes.

As críticas são úteis quando são fundamentadas e construtivas. Como um amigo meu a quem mostrei uma das minhas crónicas e perguntei "O que achaste?" e me respondeu: "Gosto muito das tuas músicas".

É bom ver as nossas qualidades enaltecidas. É animador. O elogio tem esse efeito. Convém é que seja sincero. Há uns anos, numa Queima das Fitas em que ia actuar, o concerto foi apresentado da seguinte forma: "Agora, convosco, Boss AC!!! Não é bem a minha onda, mas sei que vocês gostam". Obrigado pela sinceridade. Pensando bem, ele não é bem a minha onda também. Seja no comércio, nas repartições públicas, nos bancos, onde for, tenho um apelo a fazer-vos: elogiem as pessoas quando elas o merecerem. Às vezes uma palavra de apreço pode fazer toda a diferença. Aproveito para te dizer que de todas as pessoas que já leram as coisas que escrevo, posso sem sombra de dúvidas afirmar que tu és uma delas.

Ver comentários