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Boss AC

O leão errado

Se o dentista enfrentasse o leão mano a mano ainda lhe reconheceria mérito.

Boss AC 9 de Agosto de 2015 às 00:30

Muito se tem falado, na imprensa e nas redes sociais, da morte de ‘Cecil’, o leão, às mãos de um caçador furtivo. Veio-se a descobrir que a pessoa em causa é um dentista americano chamado Walter Palmer. Se ele soubesse o que sabe hoje...

O Dr. Palmer viajou milhares de quilómetros e gastou uma pequena fortuna para ir a uma reserva no Zimbabwe matar um felino que estava quietinho no seu lugar. Porquê? Que mal lhe fez o leão? Ofendeu a sua
família? Pediu-lhe dinheiro emprestado e não devolveu? Traiu-o com a sua mulher? Ou é apenas ego?

Há argumentos que dizem que a caça – devidamente autorizada – traz benefícios às próprias populações de animais. Eliminando os machos dominantes, dá espaço aos machos mais novos para procriar, etc. E que parte do dinheiro pago pelos caçadores é usado para pagar aos guardas dos parques e usado na conservação dos animais. Talvez.

Só que o nosso amigo dentista teve azar. Matou o leão errado. Este leão era seguido por cientistas e tinha um aparelho de GPS para que fosse constantemente monitorizado. Era uma das principais atracções do parque e atraía muitos turistas. ‘Cecil’ era bem mais popular que o presidente Mugabe.


Pessoalmente, acho a caça uma prática cruel. Se o dentista enfrentasse o leão, mano a mano, sem ajuda e sem armas e o conseguisse neutralizar à bofetada, ainda lhe reconhecia algum mérito. Mas aqui o que está em causa não é gostar ou não de caça, o que está em causa é que ele violou a lei. O Dr. Palmer pagou a dois guardas para caçar de forma ilegal.

Mais azar teve que, nestes tempos da globalização, a internet espalhou a notícia como um vírus. Saiu-lhe caro a brincadeira. Ele matou o animal e as redes sociais mataram-lhe o negócio. Teve que fechar o seu consultório em Minneapolis e até ameaças de morte já recebeu. Provavelmente da família do felino. A indignação é geral, mas linchamentos públicos são nocivos e dispensáveis. Quase sempre exagerados. Nos julgamentos da opinião pública, toda a gente é culpada e sem direito a defesa.


Tenho a dizer que ver animais selvagens no seu habitat natural foi das experiências mais gratificantes que já tive na vida. É maravilhoso ver leões, leopardos, elefantes e tantos outros animais no seu estado natural. Os animais merecem o nosso respeito.


Tenho muita dificuldade em imaginar ver um desses animais e pensar: "Olha! Este leão é tão giro que dá mesmo vontade de matá-lo a tiro!"

Sou da opinião que a única coisa que se deve matar é a fome. É isso que tenciono fazer com este prato de carne de porco à alentejana para o jantar.
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