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Carlos Anjos

Caneladas

Foi preciso um ato brutal, uma agressão hedionda, para que todos peçam justiça.

Carlos Anjos 5 de Abril de 2017 às 00:30
A pacata povoação de Canelas viu o clube da sua terra dominar os telejornais devido ao facto de um dos seus jogadores ter agredido o árbitro do jogo que disputava com o Rio Tinto, a contar para o Campeonato Regional da Associação do Porto.

O gesto de Marco Gonçalves foi violentíssimo, bárbaro mesmo, e o país levantou-se a criticar e a pedir justiça. Queria-se a prisão do homem e se possível a sua irradiação do desporto nacional. Para que não fiquem dúvidas, estou do lado dos indignados, mas não fiquei surpreendido com o que se passou. Digo até que estava à espera de que um dia aquilo pudesse acontecer.

Fiquei indignado foi com as ‘carpideiras’ do futebol nacional, que vieram clamar justiça, quando todos sabiam o problema que ali estava e, por medo, nunca o atacaram. Vejamos: doze equipas daquele campeonato recusaram-se a jogar com o Canelas, alegando que esta equipa era violenta. Tinham medo de jogar com eles. As imagens dessa violência foram passando em todas as televisões.

O que fizeram a Associação de Futebol do Porto e o Conselho de Disciplina da Associação? Nada. E o que fizeram a Federação Portuguesa de Futebol e o respetivo Conselho de Disciplina? Nada. Todos assobiaram para o lado. Fizeram umas reuniões onde pediram calma e aconselharam todos a portarem-se bem, como se faz aos meninos pequeninos.

Até o presidente do Canelas, o que fez? Será que desconhecia que aqueles doze clubes não queriam jogar contra o seu devido à violência de alguns dos seus jogadores? Certamente que andava distraído.

Foi preciso um ato brutal, uma agressão hedionda, para que todos viessem pedir justiça. Mas o problema mantém-se: o agressor não se lembra de ter agredido ninguém, sendo a primeira vez que a amnésia ataca o agressor e não a vítima. Vamos lá ver se não será o árbitro o castigado pela justiça desportiva por se ter deixado agredir.
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