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Carlos Moedas

2018: Annus Volatilis

No fundo a volatilidade tornou-se a nova normalidade.

Carlos Moedas 21 de Dezembro de 2018 às 00:30
Estamos na altura de balanços. Foi um ano marcado pela volatilidade e incerteza, um ano de apreensão, mas também com alguns sinais de esperança. No fundo a volatilidade tornou-se a nova normalidade.

Em Portugal, foi o ano dos três unicórnios com a Outsystems e a Talkdesk a serem avaliadas em mais de 1.000 milhões de euros e a Farfetch a ser avaliada em mais de 6.000 milhões de euros.

Mas foi também um ano marcado por algumas tragédias que mostram o muito que há por fazer para que o Estado cumpra eficazmente a sua função de proteger e servir as pessoas. Vimos também o crescimento da agitação social, das greves e de protestos generalizados.

Volatilidade também na Europa, com o crescimento de novos populismos desde a Andaluzia até à Suécia, declarações irresponsáveis de líderes europeus que nunca pensámos ouvir de Budapeste a Bucareste e protestos de uma violência nunca vista nas ruas de Paris e Bruxelas. Mas também sinais de boa evolução económica com a Europa a crescer ininterruptamente desde há 6 anos e com o desemprego mais baixo dos últimos 10 anos.

Volatilidade na Itália, um dos fundadores da UE, que em 2018 teve um novo governo, de difícil conceção, com primeiros ministros e ministros das finanças anunciados e logo retirados, com extrema-esquerda e extrema-direita no governo, com entradas de leão contra a Europa e por vezes saídas de sendeiro. Ou no Reino Unido, país onde vivi e que muito admiro, mas que me continua a surpreender pela negativa na total aleatoriedade e caos politico em que viveu ao longo de 2018.

Foi um ano em que continuamos a ter a política internacional influenciada por mensagens de 280 caracteres publicadas numa rede social pelo Presidente norte americano. Mensagens que mais parecem mentira. Para em seguida verificarmos que é verdade que o presidente americano chamou mesmo "burro como uma pedra" ao seu anterior ministro dos negócios estrangeiros.

Mas para sermos justos: volatilidade, mas também alguma ténue esperança à volta da política externa americana, com a situação na Coreia do Norte a parecer estabilizar e com algumas perspetivas de normalização nesta complexa região.

Ano, portanto, bom e mau, caótico e calmo, de frustração e esperança. Que venha 2019.

O Multilateralismo está cansado
Esta semana, ao reunir na UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura) pensei no momento em que vivemos e na crise das organizações multilaterais. O edifício histórico no centro de Paris resume bem o estado atual do multilateralismo. Impõe-se pela sua arquitetura e pelos seus jardins, o que mostra a visão de toda uma geração que, depois da segunda guerra mundial, acreditava que podia encarar e resolver os desafios globais se os estados trabalhassem em conjunto. Aqueles desafios que não têm fronteiras pela sua dimensão. Mas ao entrar no edifício sentimos que está gasto e cansado. Faz-me lembrar aquelas casas antigas muito bonitas, mas sem aquecimento e com algumas goteiras. É esse infelizmente o estado do multilateralismo no mundo, no momento em que mais precisamos dele. Os populistas não acreditam no multilateralismo porque pensam que tudo pode ser resolvido ao nível nacional. Acreditam num mundo pré-segunda guerra mundial e querem fazer-nos acreditar que esse mundo era melhor. Por isso nunca devemos esquecer que as organizações como a UNESCO foram criadas para nos livrar desse mundo, em que tudo era nacional e em que a guerra era a única maneira de resolver os conflitos.

25 milhões do Plano Juncker
O Plano Juncker atribuiu um empréstimo de 25 milhões de euros à TMG Automotive (V. N. Famalicão) para o fabrico inovador e sustentável de têxteis para a indústria automóvel. Criam-se 160 novos postos de trabalho. Portugal continua a destacar-se como um dos maiores beneficiários do plano.

Portugal perde poder de compra
O Instituto Nacional de Estatísticas (INE) divulgou que, em 2017, o PIB e consumo per capita nacionais afastaram-se da média europeia. É a primeira queda em cinco anos. Dos 19 países da zona euro, Portugal desceu agora para o 16.º lugar. Tirar ilações definitivas seria precipitado. Mas é um sinal que não pode ser ignorado.

1200
Sessões públicas organizadas pela Comissão Europeia para debater o projeto europeu em câmaras, universidades, associações ou fábricas. Toda a equipa de Comissários percorreu o território da UE para ouvir expectativas, receios e ideias dos europeus que querem desempenhar um papel cada vez mais ativo.
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