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Carlos Moedas

A Comissão Von der Leyen

A Comissão é como um grande petroleiro em que o capitão sozinho não consegue virar o barco.

Carlos Moedas 19 de Julho de 2019 às 00:30
O Parlamento aprovou na passada terça-feira a candidata Ursula von der Leyen para a Presidência da Comissão Europeia. Foi sem dúvida um processo difícil e as horas e dias que o precederam mostraram que o escrutínio parlamentar dos políticos em Bruxelas é muitas vezes superior ao escrutínio nos palcos nacionais.

Ursula von der Leyen passou dias e noites no Parlamento em que tudo foi questionado, em que teve que responder a perguntas que foram desde as novas tecnologias para combater as alterações climáticas, passando pela estratégia espacial europeia, até às grandes questões políticas sobre a sua visão da Europa.

??Ainda me lembro bem da minha audição no Parlamento Europeu em que durante três horas respondi a centenas de perguntas, sem direito a falhas ou hesitações.

Este ponto é muito importante porque muitas vezes existe uma ideia pré-concebida que não há escrutínio político para aceder aos cargos europeus. Muitas vezes pensei o que seria se cada candidato a ministro num determinado país passasse por este tipo de audições parlamentares com o risco de não ser aprovado.

??Por isso o grande desafio começa agora com a escolha dos futuros comissários que vão construir a Comissão Von der Leyen. Ursula vai ter que conseguir reunir um grupo de candidatos que possa aguentar não só pressão parlamentar das audições, falando em várias línguas de preferência, mas que saiba impor a sua visão para os próximos cinco anos.

Digo muitas vezes que a Comissão é como um grande petroleiro em que o capitão sozinho não consegue virar o barco. Talvez essa tenha sido uma das grandes vitórias de Juncker: reunir um grupo coeso de comissários que foi para além da política partidária e que trabalhou em equipa durante cinco anos.

??No espectro político actual será mais difícil reunir um grupo de comissários que acreditem profundamente no projeto europeu, mas não tenho dúvidas que será possível. E ninguém melhor que Ursula von der Leyen para o fazer. Tive o gosto de a conhecer em Janeiro deste ano, descobrindo o seu gosto pela ciência e pela inovação.

Pediu-me que lhe desse exemplos de projetos europeus de ciência que estão a mudar o mundo e ali ficámos à conversa. Por isso não tenho dúvidas que a Ciência será uma área em que irá apostar, para bem de todos nós.

Prémio Fernando de Sousa
É com uma grande emoção que revelo hoje em Sintra os vencedores da 3ª edição do Prémio de jornalismo europeu, que lancei a 09 de maio de 2016 (dia da Europa) para prestar homenagem ao grande jornalista que foi o Fernando de Sousa.??Todos conhecíamos o Fernando pela televisão.

Para o público português, Fernando de Sousa personificava a Europa. Foi uma instituição em Bruxelas. Foi o correspondente português que mais cimeiras europeias acompanhou.

?Quando cheguei a Bruxelas no Verão de 2014, tive o privilégio de privar com ele. Aprendi muito nas várias conversas que tivemos, nas quais me contou como percorreu o mundo, relatou guerras, privou com celebridades. Contou-me histórias fascinantes dos bastidores dos momentos históricos que testemunhou.

Chegou a fazer a cobertura jornalística da minha audição no Parlamento europeu, antes de falecer em outubro de 2014. Estou grato ao NewsMuseum em Sintra, por ter aceitado albergar o vasto espólio e integrar o retrato do Fernando na "galaria dos imortais", reconhecimento público do qual ele teria prescindido dado o seu desprendimento e simplicidade.??

Na pessoa do Fernando de Sousa, este prémio é o reconhecimento singelo de todo o trabalho jornalístico feito diariamente sobre os temas europeus.

Taxa digital avança em França
O governo francês aprovou um imposto digital de 3% sobre as maiores empre sas tecnológicas aplicável a todos os rendimentos gerados com os franceses.

Criará uma receita fiscal de 500 milhões/ano. Só lamento que tal não fosse pos sível a nível europeu por falta de unanimidade dos 28 países.

Verdes rejeitam sem motivo 
Von der Leyen apre sentou uma ambiciosa agenda em matéria de energia e alterações climáticas.

Philippe Lamberts, líder dos Verdes, apelou a votar contra. Afirmou: "Se que rem o nosso apoio, devem pagar".
Como? Com 4 comissários verdes apesar de não liderarem nenhum governo.

Lamentável que a politiquice ganhe sobre o conteúdo.

85%
85% dos portugueses considera que o país bene ficia com a pertença à UE, um valor acima da média europeia (68%) e que coloca Portugal no sétimo lugar da tabela. De acordo com o último Eurobarómetro, 49% dos portugueses acreditam que a sua voz conta na UE, neste caso abaixo da média europeia (56%).

Uma Europa que assina
Uma Europa que assina com Portugal uma declaração para o desenvolvimento e a implantação de uma infraestrutura de comunicação quân tica em toda a UE.

Até agora, apenas nove países europeus ade riram a esta coope ração para explorar as possibilidades das tecnologias quânticas.
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