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Carlos Moedas

A Europa muito à frente

Estamos todos a ‘vender a custo zero’ os nossos dados a empresas, que, por sua vez, os vendem a preço de ouro.

Carlos Moedas 25 de Maio de 2018 às 00:31
Os dados são o "petróleo" do século XXI e o seu valor será cada vez maior. Sem dados de qualidade não podemos encontrar a cura para muitas doenças ou antecipar catástrofes naturais. Mas os dados também podem ser usados contra nós: para nos manipular, para invadir a nossa privacidade e para aumentar a desigualdade.

A obrigação dos políticos é aprovar leis que permitam desenvolver o potencial da economia dos dados e, ao mesmo tempo, reduzam os eventuais custos e abusos.

Hoje temos maior consciência de que o modelo de negócio das grandes empresas digitais é simples: dá-me os teus dados para eu fazer o que quiser e eu dou-te um serviço gratuito. Como se costuma dizer: se não estamos a pagar pelo produto, então é porque somos o produto. O ponto é: será este negócio justo e ético? Qual é o valor dos meus dados e da minha privacidade?

Estamos todos a "vender" a preço zero os nossos dados a empresas, que, conhecendo bem o seu valor, por sua vez os vendem a preço de ouro e acumulam riqueza com esses dados. Assim, aumenta- -se a desigualdade social. Nós, como cidadãos, deveríamos reclamar uma parte desses ganhos e assim a distribuição da riqueza gerada seria mais justa.

A nossa privacidade é um direito fundamental que hoje não está a ser respeitado. Os escândalos recentes de utilização indevida dos nossos dados para influenciar eleições são um claro aviso e constituem um perigo real para a nossa democracia.

Hoje entra em vigor o novo Regulamento Geral sobre a Protecção de Dados (RGPD) que é o primeiro passo para fazer respeitar este princípio básico da democracia. Resume-se em três pontos: o direito de cada um de nós de dar ou não o consentimento a utilizações específicas dos nossos dados; o direito a ser esquecido, isto é, a que os nossos dados sejam removidos a nosso pedido; e o direito de transferir os dados para outro serviço.

É verdade que a tecnologia muda de forma mais rápida do que a política. Mas, neste caso, a União Europeia, ao contrário de outras zonas do mundo, foi mais rápida a compreender que no mundo digital, a privacidade e o direito dos consumidores não são valores antiquados que travam a inovação. Pelo contrário, estes valores serão cada vez mais importantes para assegurar que estas promissoras tecnologias estão ao nosso serviço – em vez de se servirem de nós.

Tornar possível o impossível
A Europa ainda é um continente de exploradores. Um deles devia ser mais conhecido: chama-se Bertrand Piccard, é suíço, médico, aventureiro e, acima de tudo, uma das vozes mais fortes no combate às alterações climáticas e na procura de energias não poluentes. O seu avô foi um grande cientista e pioneiro do voo em balão a grande altitude (e inspiração para a personagem do Professor Girassol, do Tintim). O seu pai foi o primeiro homem a chegar ao ponto mais fundo dos oceanos: a Fossa das Marianas.

Bertrand liderou o projeto e foi um dos pilotos do "Solar Impulse", o primeiro avião movido inteiramente a energia solar, que deu a volta ao mundo. Contou-me que quando idealizou o projeto foi falar com todos os grandes fabricantes de aviões. Todos lhe disseram que com a tecnologia aeronáutica atual, o que ele queria era impossível: as baterias tornavam o avião demasiado pesado para levantar voo.

Decidiu mudar de estratégia e foi ter com fabricantes de barcos de corrida, habituados a trabalhar com materiais avançados: responderam que sim, que conseguiam desenvolver o avião. Como é que Bertrand explica isto: "simples, os fabricantes de barcos aceitaram o desafio e puseram mãos à obra porque não sabiam que era impossível."

Guterres é um exemplo de sucesso
Numa visita à Comissão Europeia, sublinhou a cooperação exemplar da UE com as Nações Unidas para fazer face às ameaças mundiais tais como a multiplicação de conflitos, o terrorismo, as alterações climáticas e os efeitos perversos da globalização. Um orgulho ver um português de sucesso na arena internacional.

A triste eleição de Nicolás Maduro
Mais uma "eleição" e mais uma "vitória" do regime bolivariano no meio de alta abstenção, suspeitas de fraudes e irregularidades. Maduro canta vitória e a China, Cuba e o PCP aplaudem. Triste espectáculo. O certo é que não se perspectivam melhorias para os cidadãos e para a nossa comunidade portuguesa na Venezuela.

583 milhões…
...de contas falsas apagadas de forma voluntária pelo Facebook. Esta rede social comprometeu-se a aplicar as regras europeias de protecção de dados, nomeadamente em relação a publicações relacio-nadas com a violência explícita, pornografia, propaganda terrorista, discurso de ódio, spam e contas falsas.

Uma Europa que...
Ajuda
Milhões de crianças cujo acesso à educa-ção está a ser perturbado devido a conflitos, deslocações forçadas, alterações climáticas e catástrofes. Temos a responsabilidade de agir para evitar gerações perdidas. A UE é o maior doador mundial em termos de ajuda humanitária.



























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