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Carlos Moedas

A Política do Inimigo

Quando a população se sente desamparada cede à tentação de acreditar que se o inimigo desaparecer, a vida melhorará.

Carlos Moedas 2 de Novembro de 2018 às 00:30
O atual momento político está crispado e tenso. Temos a sensação que as eleições são ganhas por aqueles que em vez de apresentar soluções, apresentam um inimigo comum e incitam a população contra esse inimigo: o estrangeiro, o judeu, o muçulmano, o homossexual, ou outro que seja. E a realidade é que quando a população se sente desamparada e sem soluções cede à tentação de acreditar que se o inimigo desaparecer, a vida melhorará.

Essa política do bode expiatório é cobarde, mas infelizmente eficaz. Quem a pratica pode desresponsabilizar-se e culpar outros pelos problemas que não consegue resolver. Eu quero acreditar que a população não vota contra esse inimigo, vota sim contra o sistema que não lhe trouxe soluções. O problema é que ao incitar o ódio, esses políticos estão a aumentar a tolerância à violência, e quando abrimos essa "caixa de Pandora" nunca sabemos se conseguiremos voltar para trás.

Esta semana vimos a Guarda Nacional da Venezuela executar um jovem indefeso em nome de um inimigo imaginário que é o capitalismo estrangeiro. Vimos um presidente eleito no Brasil com declarações públicas totalmente contrárias aos princípios democráticos.

Vimos um ataque a uma sinagoga nos EUA onde o atacante gritou: "temos que matar todos os judeus". Fez-me lembrar o poema do Pastor Luterano Martin Niemoller que o meu pai me leu tantas vezes: "Primeiro levaram os comunistas. Mas não falei, por não ser comunista. // Depois, perseguiram os judeus. Nada disse então, por não ser judeu. // Em seguida, castigaram os sindicalistas. Decidi não falar, porque não sou sindicalista. // Mais tarde, foi a vez dos católicos. Também me calei, por ser protestante. // Então um dia, vieram buscar-me. Nessa altura, já não restava nenhuma voz. Que, em meu nome, se fizesse ouvir."

Mas no meio da violência houve também nesta semana, momentos de humanidade e esperança. Fica-me uma imagem do líder da comunidade muçulmana de Pittsburgh a dizer bem alto que a sua comunidade estava ali para defender os seus irmãos judeus: "Se precisarem de ajuda aqui estaremos. Viremos como muçulmanos para a porta da sinagoga defender- –vos se for necessário." São estes momentos que nos devem inspirar para combater a intolerância, propor ideias e combater a perigosa política do inimigo.

Dois meses a trabalhar de graça
Celebramos amanhã o Dia Europeu da Igualdade Salarial. Mas não é um dia europeu como tantos outros. Trata-se do dia do ano em que simbolicamente as mulheres deixam de ser pagas quando comparadas com os homens.

Com efeito, a diferença de remuneração entre homens e mulheres na UE é de 16%. Isto é como se a partir de amanhã (3 de Novembro), e até ao final do ano, as mulheres deixassem de ser remuneradas. Em Portugal esse dia foi na semana passada, uma vez que a diferença de salários é de quase 18%.

Este facto em si já é difícil de explicar às minhas filhas, porque estas disparidades salariais não são apenas injustas como princípio, mas também na prática, já que colocam as mulheres em situações precárias. Situação esta que se acentua ainda mais depois de se reformarem, onde as disparidades a nível das reformas são de 36,6 %.

Os últimos dados do Eurobarómetro sobre a conciliação da vida familiar e profissional não são animadores. Apenas 32% dos portugueses beneficiaram de licença de paternidade nos primeiros dias de vida do bebé. É necessário criar as condições para que as mentalidades mudem. Os incentivos e as leis são condições necessárias, mas não são suficientes. O mais importante são as mentalidades.

Jovem agricultor europeu do ano é Português 
Com 28 anos, Manuel Maria Grave foi considerado o ‘Jovem Agricultor do Ano’ da Europa 2018. Responsável por um investimento de 1,3 milhões de euros na instalação de um amendoal superintensivo de 70 hectares na zona de Portel. Mais um exemplo da nova geração.

Tragédia em Pittsburgh
O ataque à sinagoga na Pensilvânia não é mais um ataque como outro qualquer. É algo premeditado com uma finalidade exclusiva de ódio religioso por parte de alguém com historial anti-semita. Ao contrário do que disse Trump, não é com mais armas que se evitam casos destes, mas sim construindo uma sociedade tolerante.

22 milhões de euros para investigadores e empresas por-tuguesas só na última semana ao abrigo do Horizonte 2020: sete empresas portuguesas a beneficiar do Conselho Europeu de Inovação, uma bolsa do Conselho Europeu de Investigação, sete PME’s inovadoras e dois projetos do Técnico sobre o quantum. Uma semana de sucesso.

Uma Europa que...
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todas as escolas da UE a avaliar a forma como utilizam as tecnologias digitais para o ensino e a aprendizagem. Na UE, esta ferramenta, denominada SELFIE, será oferecida a 76,7 milhões de alunos e professores em 250 mil escolas, numa base voluntária.
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