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Carlos Moedas

A UE de que nunca falamos

O FEG já mobilizou 630 milhões de Euros para ajudar 150 mil desempregados por toda a Europa.

Carlos Moedas 19 de Abril de 2019 às 00:30
Falamos muito sobre os défices da UE em matéria social, mas acabamos por não referir o seu contributo para a redução das desigualdades. As políticas de coesão são um primeiro capítulo desta história por contar.

Os fundos da UE possibilitaram uma espantosa convergência dos Estados-Membros, que escolheram partilhar a sua prosperidade a um nível sem precedentes. Em Portugal, muitos de nós recordamos as diferenças entre o antes e o depois da adesão à CEE. Mas creio que não falamos o suficiente sobre este historial de solidariedade Europeia.

O Fundo Europeu de Ajustamento à Globalização (FEG) é mais um caso em que um meritório trabalho da UE para repartir os custos e benefícios da integração económica permanece em larga medida anónimo.

O FEG foi criado em 2006 com o intuito de apoiar os trabalhadores de setores económicos que sofreram impactos estruturais relacionados com a globalização ou com a crise económica mundial, levando ao encerramento de empresas ou à sua deslocalização para países fora da UE. O FEG cofinancia projetos que ajudam estes trabalhadores a encontrar um novo emprego, seja por via da formação e da orientação profissional, seja através da criação de um negócio próprio.

Desde a sua criação, o FEG já mobilizou 630 milhões de euros para ajudar 150 mil desempregados por toda a Europa. Em Portugal, a maior intervenção deste Fundo deu-se em 2017 e destinou-se a apoiar 730 ex-trabalhadores de duas empresas do setor têxtil, que muito sofreu com a intensificação da concorrência a nível global.

No âmbito do Orçamento Plurianual Europeu 2021-2027, este Fundo passará a ser ainda mais abrangente. Por um lado, destinar-se-á aos ex-trabalhadores de empresas que tenham pelo menos 200 colaboradores, comparativamente à atual fasquia de 500. Por outro lado, irá cobrir também a perda de postos de trabalho relacionada com a digitalização e com a transição para uma economia de baixo carbono. Em ambos os casos, o objetivo será ajudar os desempregados a obter novos empregos de qualidade em setores com futuro.

O FEG demonstra que é possível construir a globalização mais justa e inclusiva. Esta UE de que nunca falamos merece o nosso reconhecimento e deve ser contraposta ao discurso dos que afirmam que viveríamos melhor sem ela.

Um líder pelo pluralismo
No sábado tive o gosto de participar num jantar do conselho de administração da Universidade Aga Khan, que se realizou em Lisboa na presença do líder religioso da comunidade Ismaelita, Príncipe Aga Khan.

Foi um grande gosto pela admiração que tenho por esta comunidade extraordinária que muito tem contribuído para o desenvolvimento do nosso país e pelo seu líder Aga Khan, que tem para mim duas características muito importantes: primeiro, é um líder que lutou sempre pelo pluralismo e pelo respeito entre religiões.

É um verdadeiro construtor de pontes entre pessoas e religiões. Segundo, a sua visão sobre a religião como um elo de ligação entre a espiritualidade e os grandes problemas do mundo, como o combate às mudanças climáticas e à pobreza.

A Universidade Aga Khan tem sido um exemplo disso mesmo, com uma presença em África e na Ásia, onde tem desenvolvido um trabalho notável em várias áreas, mas em particular na Saúde através de uma rede extraordinária de hospitais universitários.

É por isso uma honra que a Rede de Desenvolvimento Aga Khan escolha Portugal para instalar uma grande parte da sua atividade e espero que possamos vir a ter uma ainda maior colaboração nas áreas da Investigação e Ciência.

Horizonte Europa aprovado
O Parlamento Europeu aprovou o Programa Horizonte Europa, a principal proposta legislativa de que fui responsável neste mandato. Cabe agora ao Conselho Europeu não defraudar as expectativas ao alocar um orçamento inferior aos 100 mil milhões que propus.

35 anos a tentar destruir a Europa
Jean-Marie Le Pen foi eleito em 1984 a defender a saída da França da UE. Acaba esta semana a carreira no Parla-mento Europeu (PE). 35 anos de mandato sem qualquer trabalho de relevo produzido.

Viu a sua imunidade levantada nove vezes para responder perante a Justiça. Usou e abusou de todas as benesses do PE.

74 mil milhões de euros... é o montante da ajuda ao desenvolvimento por parte da UE e dos seus Estados-Membros. Confirma-se assim que são os maiores contribuidores, com mais de metade do esforço mundial, de acordo com os dados da OCDE.
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