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Carlos Moedas

Comércio, valores e princípios

O Mercosul é a maior zona de comércio livre da América do Sul, ligando num mercado comum 780 milhões de pessoas.

Carlos Moedas 5 de Julho de 2019 às 00:30
Na passada sexta-feira anunciámos um acordo histórico, resultado de 20 de negociações, que irá eliminar a maioria das barreiras comerciais entre os Estados-Membros e os países do Mercosul. O Mercosul é a maior zona de comércio livre da América do Sul, ligando Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai num mercado comum de 780 milhões de pessoas.

Estes acordos são fundamentais para o nosso futuro colectivo por três ordens de razão.

Primeiro, fomentam um crescimento económico, em que cada parceiro se especializa nas actividades em que é mais produtivo. Por cada 1.000 milhões de euros de exportações europeias criamos 14.000 postos de trabalho suplementares na Europa.

Segundo, porque as condições para a entrada de bens na UE se tornam num veículo de difusão dos padrões Europeus de segurança alimentar, direitos laborais e proteção ambiental. Este acordo compromete todos os participantes a respeitar os acordos de Paris. Por exemplo, o Brasil comprometeu-se em reduzir até 2025 as suas emissões em 37%. Numa altura em que certas regiões do mundo parecem querer abandonar a luta contra as mudanças climáticas este acordo vem exportar e ancorar esta nossa luta.

Terceiro, o acordo irá fortalecer a ideia de um sistema de comércio internacional governado por normas recíprocas que todos respeitam. A reciprocidade é fundamental num acordo comercial porque só assim garantimos que todos jogam e respeitam os mesmos princípios.

Mas os esforços de abertura da UE não ficam por aqui. Apenas dois dias após concluir as negociações com a Mercosul, a UE anunciou um novo acordo comercial com o Vietname. Mercosul e Vietname vêm juntar-se à lista de acordos alcançados nos últimos cinco anos, que incluí ainda Austrália, Canadá, Japão, México, Nova Zelândia e Singapura.

Trata-se de um balanço muito positivo, num mandato que ficara inicialmente marcado pelo fracasso do acordo transatlântico com os EUA. Num momento em que vários países parecem estar a fechar-se ao mundo, a UE afirma-se assim como motor da cooperação económica além- -fronteiras exportando não só os seus bens e serviços mas também os nossos valores e princípios.

Política maçadora?
Muitos europeus se interrogam e criticam o facto de o Conselho Europeu ter demorado tanto tempo a escolher os novos líderes.

É verdade que estes dias nos pareceram uma eternidade, mas foram necessários e úteis. Primeiro, como referia Van Rompuy aquando do prémio Nobel da Paz, Jean Monnet tinha uma regra de ouro: "é melhor que nos zanguemos à volta da mesa do que no campo de batalha".
Ou seja, a alternativa a ser maçador é muito pior. Segundo, os nomes apresentados eram de altíssima qualidade e todos a meu ver poderiam ter sido presidentes da Comissão Europeia. Ursula Von der Leyen é uma europeísta convicta nascida em Bruxelas e ligada ao projeto europeu desde sempre, falando três línguas fluentemente, o que é condição essencial.

Terceiro, esta negociação veio reforçar a importância da Comissão Europeia como o braço executivo da UE, uma vez que a discussão se centrou na escolha do Presidente da Comissão como o elemento central da política europeia. Este ponto é muito importante nestes últimos 10 anos em que o pêndulo do poder na Europa se deslocou mais para o lado do Conselho e para os governos como centros de decisão. A meu ver esta discussão veio reequilibrar o pêndulo.

A rádio Observador
Depois de 5 anos de existência em que mudou o panorama da comunicação social nacional, o Observador está de parabéns ao abraçar um novo projeto na rádio. Quando todos vaticinavam o desaparecimento da rádio, a iniciativa vai contribuir para o pluralismo informativo e maior proximidade com as pessoas.

A geringonça europeia desafinada
Marisa Matias tinha todas as car-tas na mão para ser eleita presidente do grupo europeu GUE que reúne a extrema-esquerda europeia, no qual o BE e o PCP estão integrados. Isso era sem contar com a oposição de João Ferreira, do PCP, que invalidou a eleição. Com amigo destes, não são precisos inimigos.

14%
Dos jovens portugueses universitários não conseguiram emprego no prazo de 3 anos após concluir o curso. São dados revelados esta semana pelo Eurostat, que confirmam que os jovens com formação superior registam taxas de emprego mais elevadas face aos jovens com níveis inferiores. Portugal está dentro da média europeia

Uma Europa que decidiu
Não abrir um proce-dimento de défice excessivo (PDE) con-tra a Itália. Em res-posta ao sinal envia-do pela Comissão, um mês atrás, as auto-ridades italianas acabaram por adotar um pacote adicional de medidas que garantem a plena conformidade com as regras.



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