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Carlos Moedas

Na casa dos grandes homens

Tudo em Simone Veil é excepção e excepcional.

Carlos Moedas 7 de Julho de 2018 às 00:30
Um ano depois da sua morte, Simone Veil foi agora sepultada no Panteão francês, cujo frontispício ostenta "aos grandes homens, a Pátria reconhecida".

É portanto uma mulher de excepção num Panteão de Homens (75 homens e 4 mulheres). Foi preciso esperar até 1995 para a primeira mulher ser lá sepultada por mérito próprio, Marie Curie. Outras mulheres já lá repousavam mas apenas por terem sido as mulheres de homens famosos.
O caso de Simone Veil, mais uma vez, será excepção ao levar consigo o seu marido, Antoine, agora sepultado ao seu lado.

Tudo em Simone Veil é excepção e excepcional. Sobrevivente do campo de concentração de Auschwitz em que perdeu todos seus familiares mais próximos. Ministra da Saúde que liberalizou o aborto ainda em 1975. Primeira mulher a presidir ao Parlamento Europeu. Viveu uma vida de revolta e travou com uma energia inquebrável todos os combates que o século XX foi pródigo em proporcionar.

Foi visionária em muitos aspectos. Teve razão antes dos outros e não fraquejou ao enfrentar uma opinião pública adversa, convicta da sua razão nos valores republicanos.

Fica agora ao lado de Jean Moulin, resistente da segunda guerra mundial, e de Jean Monnet, pai fundador do projeto europeu. Veil reúne em si as qualidades de ambos: foi uma resistente e uma europeísta convicta desde a primeira hora. Prova disso foi em 2010 quando, nomeada para a Academia francesa, mandou gravar na sua espada três anotações: 78651 (o número tatuado no seu braço em Auschwitz), "Liberté, Égalité, Fraternité" (lema francês) e "Unie dans la diversité" (lema europeu). Encarna uma direita humanista e progressista, órfã de sucessores políticos em França. O seu legado de coragem, combatividade, dignidade e resiliência deve constituir um exemplo para todos nós, em particular para os políticos da minha geração.

Desenganem-se os que pensam que as lutas de Simone Veil são hoje vitórias adquiridas para sempre. Pois o radicalismo, a intolerância, o sectarismo, a injustiça e o populismo continuam a existir, apenas com rostos diferentes.

Ainda recentemente, confrontados com a crise dos refugiados no Mediterrâneo, sinto nos nossos líderes políticos a falta desse Humanismo e de sentido de justiça que a Simone Veil encarnou com humildade.

Como disse o Presidente Macron no seu discurso de homenagem: "os seus combates, a sua dignidade, a sua esperança constituem uma bússola nos tempos conturbados que hoje atravessamos."

Na Europa os bastidores são importantes
Normalmente, quando o Conselho Europeu reúne, as suas conclusões já estão escritas. Os presidentes e primeiros-ministros discutem os assuntos e apenas dão os retoques finais aos documentos, preparados de antemão. Numa mesa com 28 pessoas só assim se conseguem tomar decisões. Comissários, ministros, diplomatas e funcionários trabalham nos bastidores dia e noite para construir soluções. Mas a cimeira da semana passada foi diferente.

O primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte, ameaçou vetar as conclusões sobre a imigração se as suas preocupações não fossem atendidas. O que não se percebe, porque uma solução de partilha dos refugiados por todos os países só poderia beneficiar a Itália.

Os líderes arregaçaram as mangas, e só de madrugada chegaram a acordo. Quem percebe a Europa por dentro sabe que este tipo de tática não funciona. Não é pela teimosia ou pela chantagem que se resolvem os problemas. É com muito trabalho de casa. Mas o pior desta história é que as propostas que a Comissão apresentou há dois anos e que poderiam ajudar a Itália continuam por aprovar…

Mais um português no palco internacional
Escolha fantástica de António Vitorino para chefiar a Organização Internacional para as Migrações. A pessoa certa para responder a um dos maiores desafios da atuali- dade. Nestes tempos de crise de refugiados na Europa, tranquiliza-me ver à frente da organização um europeísta convicto e antigo comissário europeu.

Erdogan: reeleição perpétua ?
O presidente Turco foi reeleito à primeira volta das presidenciais. De acordo com a OSCE e o Conselho da Europa, as condições da campanha eleitoral não foram justas para os seus adver- sários. A viver sob estado de emergência, seria complicado falar de resultados justos perante tantas restrições à liberdade de expressão e de reunião.


1,3%
... do PIB europeu, é quanto representa a economia azul, um sector em crescimento com um volume de negócios de 566 mil milhões € por ano e que emprega 3,5 milhões de pessoas na UE. Com mais investimento, estima-se que a economia azul duplique até 2030. Em Portugal, este sector cresceu mais do que a média da economia nacional.

Uma europa que
Promove
... o património cultural como tema do Ano Europeu 2018. O lema da UE "Unida na diver-sidade" exprime bem o papel do património cultural na identidade europeia-nacional-regional-local dos cidadãos europeus. É uma fonte comum de memória, de compreensão e de criatividade para a Europa.

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