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Carlos Moedas

O Triângulo do Investimento

A economia Portuguesa continua a apresentar um nível de investimento em investigação insuficiente.

Carlos Moedas 7 de Junho de 2019 às 00:30
Esta semana a Comissão Europeia aprovou um conjunto de recomendações muito claras para estimular o crescimento económico e o bem-estar em Portugal.

Estas propostas inserem-se num processo regular de acompanhamento a todos os Estados-Membros que visa encorajar reformas sólidas e com cariz de longo prazo. Gostaria de destacar aqui três recomendações ao nível do investimento, que a meu ver constituem um modelo triangular que o nosso País deve seguir.

No primeiro vértice do triângulo temos a ciência e a inovação. De acordo com a Comissão Europeia, a economia portuguesa continua a apresentar um nível de investimento em investigação e desenvolvimento insuficiente, tanto do setor público como das empresas. Os investimentos em novas tecnologias e modelos de negócio são essenciais para criar diferenciação no mercado internacional e para gerar indústrias e serviços com alto valor acrescentado e bons salários.

No segundo vértice surgem as infraestruturas de transporte e comunicação. Segundo a UE, Portugal não utiliza plenamente o potencial da sua localização geográfica para se afirmar como plataforma de comércio entre Europa, África e América.

É essencial aumentar a capacidade dos portos nacionais e assegurar melhores ligações ferroviárias a Espanha para que as mercadorias possam chegar rapidamente ao resto do continente, oferecendo uma alternativa mais competitiva aos portos do Norte da Europa.

No terceiro vértice do triângulo surge a educação e a formação. Apesar dos esforços das últimas décadas, Portugal continua a apresentar um nível médio de qualificações inferior aos seus parceiros Europeus.

Tal aplica-se em especial ao setor digital, no qual metade dos Portugueses não possuem competências básicas. Um maior investimento em competências digitais é essencial para promover uma maior empregabilidade futura e uma maior mobilidade social.

Este modelo triangular baseado nas recomendações da UE oferece uma perspetiva sistémica sobre o investimento público. Os vértices do triângulo estão interligados, pois só com qualificações adequadas se pode explorar o potencial da ciência e da inovação, e apenas com pensamento disruptivo se desenvolvem infraestruturas de ponta.

No novo Quadro de Apoio 2021-2027, Portugal terá uma oportunidade única para usar fundos comunitários ao serviço de uma ambiciosa agenda de investimento, criação de emprego e crescimento económico.

Professor Gaspar Barreira: uma visão para além da física
Deixou-nos recentemente o Professor Gaspar Barreira, um nome conhecido de todos os que, em Portugal ou no estrangeiro, se dedicavam à física de partículas.

O seu percurso académico e profissional, a sua colaboração com o Professor Mariano Gago, o trabalho com o CERN e o Laboratório Português de Física Experimental de Partículas, tudo tem sido relatado na imprensa.

Menos conhecido será talvez um outro projeto a que o Prof. Gaspar Barreira se dedicava, no âmbito do qual tive a oportunidade de o conhecer: o SESAME. Este acelerador de partículas está localizado na Jordânia e é já de si uma infraestrutura impressionante.

Mas, além do inegável valor estritamente científico, no SESAME vi com o Professor Gaspar Barreira uma cena curiosa e rara: cientistas israelitas, palestinianos, egípcios, iranianos, paquistaneses, e muitos outros, a trabalhar e a colaborar lado a lado.

Pessoas de países que, nalguns casos, nem sequer têm relações diplomáticas, quanto mais empreendimentos conjuntos.
Foi porventura a magia da física e da ciência que os uniu; é sobretudo o fruto do empenho de uma vida de pessoas como Gaspar Barreira.

Prémio João Vasconcelos 
É de louvar a iniciativa da Startup Lisboa de criar o ‘Prémio de Empreendedor do Ano João Vasconcelos’, em homenagem ao seu primeiro diretor- -executivo. É um justo e singelo reconhecimento da capacidade de liderança e resiliência do João.

Candidaturas abertas até final de agosto.

Direitos Humanos na China 
Todos recordamos
A imagem de um estudante a desafiar um tanque. Mas não conhecemos nenhuma imagem da repressão que se seguiu. Nos últimos 30 anos, a China deu um salto enorme em termos económicos e comerciais.

Mas os direitos humanos continuam a deixar muito a desejar.

21
21 por cento do orçamento total da UE para 2020 destina-se a financiar medidas de combate às alterações climáticas. A UE respeita assim o seu compro-misso de dedicar pelo menos 1/5 do seu orçamento a esta área.

O orçamento da UE para 2020 é o último orçamento no âmbito do atual quadro finan-ceiro plurianual (2014-2020).
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