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Piloto morre em corrida de motos no Estoril

Carlos Moedas

Responsabilidades acrescidas

A UE tem sido um ator-chave na luta pela descarbornização da economia e é essencial que assim permaneça.

Carlos Moedas 28 de Junho de 2019 às 00:30
Um estudo recentemente publicado pela Universidade de Brown concluiu que, em 2017, as operações de defesa dos EUA emitiram mais gases com efeito de estufa do que Portugal no seu todo.

Este dado vem juntar-se às notícias alarmantes que nos dão conta do aumento de emissões na China e em várias outras potências em ascensão que se desculpam dizendo que chegou a sua vez de triunfar no mercado global.

Tudo isto leva a que muitos se perguntem se os esforços que fazemos na UE para produzir energia sustentável e alterar os nossos hábitos de consumo se justificam. O que há de errado neste argumento?

Em primeiro lugar, coloca-se um princípio básico de responsabilidade moral: o facto de que o outro não cumpre o seu dever não me confere uma desculpa para não cumprir o meu. Isto aplica-se em especial à vida em sociedade, desde a abstenção eleitoral até à evasão fiscal.

Se todos deixarmos de cumprir o nosso dever o que acontece é que a sociedade deixa de funcionar. No caso das emissões de carbono, está em causa não apenas o bom funcionamento da sociedade, mas a sua própria sobrevivência. Por isso a solução não é baixar a fasquia, mas exigir que todos a cumpram.

Em segundo lugar, o problema do histórico de emissões deve também ser analisado de uma perspetiva ética. É verdade que os países desenvolvidos poluem há mais tempo, já que se industrializaram mais cedo. Mas isso não dá aos restantes o direito de serem irresponsáveis, porque isso penalizará (ainda mais) todos os Estados.

Uma solução de compromisso implica que os países mais prósperos ajudem os restantes a descarbonizar as suas economias, sem comprometer o crescimento. É isso que a UE tem feito, designadamente através dos fundos estruturais.

Em terceiro lugar, e caso os argumentos éticos não bastem, há um inequívoco interesse de cada Estado em tomar medidas. Uma coisa é certa: ninguém vai escapar aos efeitos do aumento das emissões de gases com efeito de estufa.

E os países com maiores níveis de emissões serão os primeiros a sofrer as consequências. Basta pensar nas cidades chinesas em que os cidadãos já têm de usar máscaras para se protegerem da poluição. Por isso, até o mais elementar cálculo de interesse próprio recomenda que continuemos a agir proativamente na UE.

A UE tem sido um ator-chave na luta pela descarbonização da economia e é essencial que assim permaneça. Por isso, as hesitações dos nossos parceiros apenas nos trarão responsabilidades acrescidas.

Um encontro inesquecível
Esta semana tive a oportunidade de conhecer em Zurique um homem ímpar: Buzz Aldrin. Foi o segundo homem a andar sobre a Lua (19 minutos depois de Neil Armstrong) e mantém uma vitalidade impressionante nos seus 95 anos.

Contou-me o que sentiu naquele momento. Com o seu colega Neil Armstrong, deixaram uma bandeira americana plantada no solo da lua e uma placa que dizia: "Viemos em paz por toda a humanidade."

Estas duas imagens da bandeira e da placa e o seu simbolismo são muito atuais. Queremos seguir o caminho da bandeira que representa a soberania e o poder de umas nações sobre as outras? Ou queremos trabalhar em prol da humanidade em colaboração com os vários países do Mundo?

Hoje na Estação Espacial Internacional estão europeus, russos e norte-americanos e a realidade é que precisamos todos uns dos outros. Para chegar à estação precisamos dos russos, para lançar as naves espaciais e para lá viver precisamos de tecnologias europeias e norte-americanas.

Quando Buzz Aldrin olhou da lua para a Terra esticou o braço e deu--se conta de que o seu polegar era do mesmo tamanho que a terra. Somos um ponto muito pequeno no universo e os nossos líderes muitas vezes esquecem-se disso.

A "confiança" de Assunção Cristas
Otimista nata, a líder do CDS-PP apresentou o seu livro. Conseguiu com sucesso mostrar umas facetas do lado humano por trás da figura política. Além da amizade que nos une, tenho grande admiração pela Assunção, genuinamente interessada nas pessoas e que encara a vida pública como uma missão.

O elevador social está fora de serviço
A Fundação Belmiro de Aze-vedo publicou um estudo que confirma que alunos de famílias mais favorecidas e cujos pais têm mais habilitações académicas entram nos melhores cursos. As condições socioeconó-micas e o ambiente familiar continuam a ter demasiado peso e travam o elevador social através da educação.

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São as primeiras alianças de Universidades Europeias anunciadas esta semana. Trata-se de alianças transnacionais de estabelecimentos de ensino superior de toda a UE que pro-movem os valores e a identi-dade europeia, assim como a mobilidade. Destaque para a participação das Universidades do Porto, de Aveiro e Lisboa.

Uma Europa que declarou
Contrária às leis europeias a reforma judicial do governo polaco, impondo a re-forma antecipada de alguns juízes. O Tribu-nal Europeu deu ra-zão à Comissão Euro-peia e considerou que o diploma punha em causa os princípios da inamovibilidade dos juízes e da indepen-dência da justiça.
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