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Carlos Moedas

Ubuntu

Sem os outros não somos nada. Precisamos dos outros para ser aquilo que somos.

Carlos Moedas 26 de Julho de 2019 às 00:30
Na semana passada tive o gosto de participar numa sessão da Academia Ubuntu. Esta academia foi criada por Rui Marques, conhecido de muitos portugueses quando, no ano de 1992, embarcou no Lusitânia Expresso rumo a Timor com 141 jovens de 23 países para lutar pela auto determinação do povo timorense.

A sua coragem marcou toda uma geração de portugueses. Desde então Rui Marques tem dedicado a sua vida à luta contra as injustiças sociais, tendo sempre como força motriz os jovens.

E foi neste quadro que criou a Academia Ubuntu inspirada nas palavras de Nelson Mandela e na filosofia Ubuntu, que muito simplesmente significa: "Eu sou, porque tu és". Esta frase e esta filosofia são especialmente importantes no momento em que vivemos. Por um lado, as novas tecnologias fecham-nos sobre nós próprios, e por outro lado os políticos populistas reforçam a ideia de que nos devemos fechar aos outros.

Há um ano atrás o antigo presidente Obama dizia: "Há uma palavra na África do Sul - Ubuntu - que descreve Mandela na sua essência: o reconhecimento de que todos estamos interligados entre nós, mesmo que tal seja invisível aos nossos olhos; que a humanidade é indivisível; que só alcançamos a nossa própria identidade partilhando-a com os outros, ajudando os que nos rodeiam."

No fundo, sem os outros não somos nada. Precisamos dos outros para ser aquilo que somos. Esta é a ideia desta academia que hoje está em vários países e que foi criada em Portugal. Durante a sessão muitas pessoas perguntavam se era mesmo uma ideia portuguesa. É de facto uma criação portuguesa para o mundo que prepara os jovens para o futuro. Esta filosofia desenvolve a autoestima, o autoconhecimento e a resiliência, porque quando estamos abertos aos outros aprendemos a conhecermo-nos melhor.

Disse na conferência que esta filosofia deveria ser parte do nosso sistema de ensino, porque só através desta aceitação do outro poderemos combater o populismo, o extremismo e os efeitos negativos vindos das novas tecnologias. Não tenho dúvidas que precisamos de mais Ubuntu nas nossas escolas.

Açores: um laboratório a céu aberto
Escrevo estas linhas desde os Açores, onde fiz mais um Roteiro da Ciência. Lancei estes roteiros em 2014 para conhecer o que de melhor se faz na ciência e inovação em Portugal mas também para divulgar as oportunidades de fundos europeus para apoiar este ecossistema. Para mim, esta visita aos Açores teve ainda um sabor especial por ser a última edição do Roteiro.

Foram ao todo sete edições, de norte a sul do país, incluindo as Regiões Autónomas. Durante três dias, percorri as ilhas de São Miguel e Faial para contactos com a Universidade dos Açores, laboratórios, centros de investigação, parques tecnológicos, start-ups e PME. No regresso levo comigo exemplos de excelência, tanto em termos científicos como de inovação. Os Açores apresentam características únicas, como a sua localização geográfica, que são um critério de diferenciação positiva em áreas científicas como as energias renováveis, o mar, a vulcanologia e o espaço.

Acabar esta série de Roteiros nos Açores é simbólico; é estar onde a Europa começa. Os Açores representam a diversidade do continente europeu e são exemplo do contributo de Portugal para uma Europa aberta ao Atlântico. A Europa tem nos Açores um laboratório vivo onde se faz ciência a céu aberto.

A esperança para a Ucrânia
Depois de ter ganho as presidenciais em abril, o come diante que foi presidente a fin gir antes de sê-lo a sério ganhou agora as eleições legislativas na Ucrânia. Volodimir Zelenskii tem agora melhores condições para en frentar sérios desafios: a ocupação russa, a corrupção e a recuperação económica.

O Estreito de Ormuz: um barril de pólvora
Estão ao rubro as tensões no Estreito de Ormuz, por onde transita 1/3 do petróleo mundial. Desde a saída dos EUA do acordo de não proliferação nuclear que o Irão tem vindo a testar a paciência dos aliados, agravando o risco de sanções comerciais. Qualquer evento pode incendiar o Médio Oriente.

6.º
lugar para Portugal no ranking dos países euro peus com maior desigualdade de rendi mentos entre os mais ricos e mais pobres, de acordo com o Eurostat. Pior, só mesmo a Bulgária, Roménia, Letónia, Espanha e Grécia. No topo da lista dos mais equilibrados surgem a Rep. Checa, Eslovénia, Finlândia, Eslováquia e Bélgica.

Uma Europa que ativou...
o satélite Copernicus para produzir mapas e fotos pormenorizadas para auxiliar Portugal no combate aos incêndios florestais. A UE já manifestou total disponibilidade para activar o mecanismo RescEU e o envio de meios aéreos logo que Portugal o solicitar.
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