Carlos Moedas
Presidente da Câmara de LisboaA circunstância da morte de Jacques Chirac levou-me a um exercício de reflexão que ultrapassa a mera admiração que nutria pelo homem político que marcou de forma indelével os anos que vivi em França.
Tradicionalmente, as homenagens e necrologias próprias destas horas destacam de forma unânime grandes feitos governativos. Mas com Chirac é diferente. Apesar dos 45 anos de vida pública, 12 anos na mais alta responsabilidade política francesa, Chirac não será recordado pelo seu legado como Deputado, Presidente da Câmara de Paris, Ministro, Primeiro-Ministro ou mesmo Presidente da República.
Entrará sim no imaginário coletivo francês pela pessoa que foi, durante quase meio século de vida pública. Chirac não vinha de grandes famílias. Não foi aluno brilhante e nunca foi considerado como um herói (como De Gaulle), superiormente inteligente (como Giscard d’Estaing) ou um intelectual (como Mitterrand).
Aliás, sofria de grandes complexos perante o peso desta herança política.
Para proteger-se, decidiu com excessos assumir o papel do político simples, genuíno e próximo do povo. Apostou tudo com sucesso na sua capacidade de criar facilmente empatia com as pessoas. Ligado à terra, à "França profunda", a sua estatura física e o seu carisma facilitavam o contacto popular. Cada visita de Chirac transformava-se numa ação de campanha eleitoral, tal era a proximidade com as pessoas. Genuíno, fugia do script imposto sempre que podia. A ideologia política sucumbia ao seu pragmatismo imediato. A ‘Constituição europeia’ morreu no referendo que ele decide convocar de forma leviana.
Os meus anos em França levam-me a concluir que Chirac encarna e personifica a França como pouco políticos, em toda a sua diversidade, contradições e idiossincrasias. Hoje, a nossa realidade nacional permite afirmar que foi provavelmente um político de afetos antes da hora.
Acredito que será recordado como alguém de quem os franceses, da esquerda à direita, ricos e pobres, se sentem próximo, com quem se identificam. Aliás, só essa empatia com os franceses consegue explicar que os numerosos processos e condenações penais que marcaram o seu longo percurso nunca chegaram verdadeiramente a beliscar a sua imagem.
Será recordado pelo aquilo que foi. Mais do que por aquilo que fez.
A grande prova
Aqueles que criticam a União Europeia por uma suposta falta de legitimidade democrática, deviam assistir a estas audições.
Estas audições estão longe de ser um mero formalismo. O Parlamento Europeu é soberano e excluiu sem apelo nem agravo os candidatos da Hungria e da Roménia.
Confesso que olhei para estas audições com alívio. Há cinco anos estava a entrar para uma sala com mais de trezentos deputados e jornalistas, a sentar-me sozinho numa mesa e a enfrentar durante três horas as perguntas mais variadas, que iam desde temas sensíveis e complexos da UE até aos aspetos mais técnicos. É o escrutínio democrático a funcionar.
Atrevo-me a sugerir que Portugal e outros países da Europa poderiam adotar um processo semelhante na escolha dos novos ministros. Torna o processo mais complicado, é certo. Mas aumenta o escrutínio, trazendo maior transparência e competência para a política.
Codruta Kövesi: Procuradora-Geral Europeia
Codruta Kövesi foi nomeada como primeira Procuradora-Geral Europeia. Trata-se de um novo órgão independente, que investiga, instaura ação penal e leva a julgamento os autores de crimes contra o orçamento da UE. Chefiava a luta contra a corrupção na Roménia.
Dieselgate: megaprocesso VW
Iniciou-se o processo que opõe a VW a uma associa-ção de consu-midores que representa mais de 450 mil clientes. No caso do Dieselgate, este construtor reconheceu ter manipulado fraudulenta mente as emissões de CO2 dos seus veículos. Ficamos com a sensação de comprar gato por lebre a um construtor que usava preci-samente a ecologia como argumento de venda.
950
É o número de estagiários que iniciam agora cinco meses de aprendizagem nos serviços da Comissão Europeia, em Bruxe-las. Trata-se do maior progra-ma de estágio remunerado a nível mundial, que recebeu quase nove mil candidaturas dos 28 Estados-Membros.
Aprova
Novas regras para tornar os eletro domésticos mais fáceis de reparar e mais eficientes em termos de energia para prolongar a sua vida útil. Além de favoráveis ao ambiente, estima-se que as regras vão permitir uma poupança média de 150€/ano por cidadão.
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