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Paulo Fonte

Paulo Fonte

Chefe de Redação/Revistas

O medo de Sócrates

26 de novembro de 2015 às 00:30

Se não faz sentido o papa escapulir-se sem seguranças e deslocar-se sozinho a um oculista, como aconteceu em setembro deste ano, arrastando uma multidão até à porta da loja, mais admirável, digamos assim, é o ex-primeiro-ministro reunir-se num almoço com 400 apaniguados e levar para o repasto três guarda-costas sempre atentos a qualquer movimento do homem suspeito de um rol de crimes. Que teme Sócrates?

O animal político teve honras de palco na antiga FIL, o convívio serviu para assinalar um ano após a sua detenção. Com a presença dos habitués nas romarias à cadeia de Évora e muitos anónimos, disponíveis para despender 25 euros – o valor da refeição com discurso incluído –, nem na altura dos beijinhos e abraços os homens da segurança tiveram sossego, não fosse alguma idosa da Covilhã apertar com mais empenho o antigo chefe do governo.

Pode também dar-se o caso de José Sócrates temer algum homem do fraque enviado por Carlos Santos Silva, para este garantir o dinheiro que tem a receber. Um mistério digno de Poirot, com a realidade a provar quanto o homem anda inquieto. Ele lá saberá porquê.

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