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Edgardo Pacheco

Chás, livrarias e mistérios editoriais

Um livro editado por cá e depois traduzido para francês custou-me menos 50%.

Edgardo Pacheco 10 de Março de 2017 às 00:30
Quando quero saber quais são as novidades em matéria de chás tenho duas hipóteses: ou vou à página da loja francesa Mariage Frères ou dou um salto à Companhia Portugueza do Chá, em Lisboa. No primeiro caso fico entretido a ler informações sobre novas colheitas (descobri que existe um conceito de Darjeeling Nouveau, à semelhança do Beaujaulais para o vinho); no segundo fico à conversa com Sebastian Figueiras, para aprender mais qualquer coisa.

No sábado passado, o argentino recomendou-me uns chás do Ruanda, dissertando de tal forma sobre a finura e o terroir destes produtos que eu não tive dúvidas em comprá-los. Apesar de em África se produzir e consumir muito chá, eu associo muita coisa ao Ruanda que não passa pela planta Camelia Sinensis. Ignorância minha, claro.

Ora, vindo eu a subir a rua de São Bento, olho para a montra da livraria Palavra de Viajante e – como que a chamar por mim – lá estava a obra ‘Tea: History, Terroirs, Varieties’. Bastou folhear meia dúzia de páginas e perceber que África estava em destaque para me decidir pelo livro.

Depois, desvio o olhar para outra prateleira e fixo-me num livro que sempre quis comprar, mas que, por uma razão ou outra (nomeadamente o preço) tinha adiado para as calendas. O livro é ‘A Aventura das Plantas e os Descobrimentos Portugueses’, de José Eduardo Mendes Ferrão – um especialista na matéria. Por cá, a edição portuguesa (Chaves Ferreira Publicações) custa 65 €, mas a edição francesa que estava na Palavra de Viajante – bonita e bem ilustrada – custava 31 €.

O mercado editorial português é mesmo esquisito, mas eu lá fui para casa provar os chás e folhear os livros. E contente com o negócio.
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