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Edgardo Pacheco

Madeira, o eterno vinho esquecido

Num mundo ideal, devíamos provar vinho Madeira de categoria uma vez por mês.

Edgardo Pacheco 18 de Novembro de 2016 às 01:45
O Encontro com o Vinho e Sabores, que decorreu no passado fim de semana em Lisboa, prestou, mais uma vez, um excelente serviço público na educação dos enófilos civilizados.

E digo civilizados porque, entre os milhares de pessoas que passaram pela antiga FIL desejosas de conhecerem novas marcas e aprender mais alguma coisa com os enólogos e os produtores, há sempre uns quantos cavalheiros que fazem do evento um momento estratégico para apanharem uma bebedeira barata e com vinhos de nomeada, antes de seguirem para a noite lisboeta.

Vi um que se dirigiu de copo esticado a um stand e a pedir "uma pinga" com tamanha tempestade que demorou meio minuto a ler o nome da região escarrapachado com letras garrafais no tal stand. Verdade que o facto de ser Trás-os-Montes não facilitava a leitura a quem teria a visão turvada e falava aos solavancos, mas mesmo assim…

Mas o que agora interessa é destacar uma excelente prova de vinho Madeira, orientada por Humberto Jardim, da empresa Henriques & Henriques. Já assisti a muitas exposições sobre um vinho que tem o seu quê de complexidade, mas nunca tinha visto alguém com uma capacidade didática tão acentuada. Comportamento das castas, importância da altitude, a arte do lote, a origem da acidez dos vinhos, as suas categorias, tudo foi dissecado durante uma hora e meia, com oito vinhos à frente de cada participante.

Um Terrantez 20 anos encantou toda a gente com a sua complexidade, com notas de laranja confitada e acetona. Na boca, cheio, fresco e com aquela acidez que torna os vinhos Madeira eternos. Uma pessoa de bom gosto devia ter direito a uma prova de vinho Madeira de categoria nobre uma vez por mês. Pelo menos.
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