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Edgardo Pacheco

Será que dá para usar mais castas?

Teremos umas 250 castas, mas as empresas estão reféns de poucas variedades.

Edgardo Pacheco 5 de Fevereiro de 2016 às 00:30
Um consumidor esclarecido conhecerá vinhos feitos com as castas Touriga Nacional, Tinta Roriz, Aragonês, Trincadeira, Cabernet Sauvignon, Alvarinho, Fernão Pires e – vá lá – Antão Vaz, mas já será duvidoso que tenha ouvido falar em coisas como Tinta Grossa, Samarrinho, Jampal ou Tinta Francisca. E não me espantaria nada se coisas como Alfrocheiro ou Jaen fossem, apesar de tudo, consideradas esquisitices.

Ora, este é um cenário triste e, em certa medida, incompreensível face ao galopante processo de padronização que atinge o mundo do vinho. Repare-se nestes valores absurdos: cerca de 80 por cento dos vinhos de todo o mundo serão feitos com apenas 20 castas.

Não obstante Portugal estar longe desta realidade, em certa medida o atual afunilamento na seleção de castas acaba por traduzir uma situação relativamente preocupante pelo facto de sermos um dos países com mais variedade de castas autóctones em todo o mundo (250 variedades), de tal modo que, há uns anos, um jornalista estrangeiro de visita a Portugal disse que o Dão era uma espécie de "Arca de Noé das castas".

Donde, e atendendo a que os vinhos estão todos muito parecidos uns com os outros (independentemente da região onde são produzidos), não é necessário tirarmos um grau académico para percebermos que os produtores que começarem a trabalhar castas menos conhecidas (ainda que difíceis de trabalhar) estarão mais bem preparados para surpreender o mercado. Assim de repente lembro-me de empresas como Real Companhia Velha (branco Samarrinho), Paulo Laureano (tinto Tinta Grossa), Quinta de Lemos (tinto Alfrocheiro) ou Casal Figueira (branco Vital).
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