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Eduardo Cabrita

Corte urgente

Urgente é que não se perca mais um dia de corte de salários aos ricos que ganham 1500 euros brutos...

Eduardo Cabrita 3 de Setembro de 2014 às 00:30

Antes do verão, órfão da troika e sem estratégia, o Governo assumiu que queria aturar a Assembleia pelo mínimot empo possível oferecendo aos deputados um longo período de férias entre o início de julho e 17 de setembro.


Mas entretanto a urgência das verdadeiras prioridades da governação e o descalabro do BES precipitaram o País numverãoatípicocompoucosol, águas frias e incessante atividade política. Primeiro foi a peregrina ideia de legislar à experiências ujeitando iniciativasl egislativas a testes prévios de constitucionalidade com o beneplácito presidencial. Aí veio a urgência até final de julho de retomar a via destemida dos cortes salariaisedoataqueàs pensões já constituídas.


A incerteza quanto ao valor do salário e da pensão assumiu com Passos um nível de frenesim comparável ao da especulação bolsista. Em Portugal, não vale a pena programar o futuro, porque ninguém sabe quanto vai receber no mês seguinte.
Em agosto não faltaram Conselhos de Ministros fantasma para aprovar diplomas exóticos, com chancela presidencial automática e publicação simplex, que nacionalizaram o maior banco privado, sujeitaram a penas sem julgamento familiares de banqueiros em desgraça e adotaram um modelo original em que os contribuintes avançam com 4900 mil milhões de euros para um banco criado pelo Estado, que fica com a herança das pratas, enquanto a velha marca fica como uma arca de calotes. Depois de esquecida a propaganda sobre a solidez do velho BES e a confiança dada pelos novos gestores, todos descobrem subitamente que os reguladores e o Governo foram displicentes, ingénuos ou coniventes no maior desastre económico em democracia com estilhaços a causar danos colaterais por muito tempo.


É neste cenário que o Governo desaparece, escondido atrás do Banco  de Portugal, reaparecendo para exigir urgência na retoma daquela que é a sua grande vocação: confirmada a violênciafiscal,cortarde novo os salários.


Perante o maná de receitas do "enorme aumento de impostos" herdado de Gaspar, o Governo esquece promessas e dá como prebenda não os aumentar ainda mais. Urgente é que não se perca mais um dia de corte de salários aos ricos que ganham 1500 euros brutos…

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