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Piloto morre em corrida de motos no Estoril

Eduardo Cabrita

Mário e Maria

Temos de mudar de campo para evitarmos os danos irreversíveis de ficarmos gaseados de austeridade.

Eduardo Cabrita 10 de Setembro de 2014 às 00:30

No final da semana passada Mario Draghi anunciou a nova artilharia pesada europeia para combater a deflação e a patológica obsessão pela austeridade redentora que quase destruiu o sonho europeu neste tempo dramático em que os fantasmas da Guerra Fria estão de volta.

Ontem no Parlamento Europeu Martin Schulz dizia que "mais do que graças a Deus, graças a Draghi, o pior da crise parece já ter passado", referindo-se à reorientação das prioridades de política económica no sentido do retorno do investimento, incluindo o investimento público, e do mérito de aumentar salários como forma de estimular a procura. Todavia, na ocidental praia lusitana um bando de fundamentalistas obstinados após três anos de recessão, mais 40% de dívida publica, retorno da imigração e a destruição do papel público em empresas como a CIMPOR, a PT ou os CTT, reúnem-se numa "universidade de estio" na raia em que a pitonisa ascendente Maria Luís resiste à mudança dos tempos, insistindo no poder salvífico da mortificação austeritária.

A insuperável lata de quem apresenta como troféu não acrescentar mais impostos ao maior incremento fiscal da história portuguesa só é superada pela ligeireza com que se desvaloriza o défice de 10% previsto pela UTAO para este ano.

A confiança inspirada pela pias juras de que os 4,9 mil milhões de euros de dinheiros públicos enfiados no Novo BES são recuperáveis a curto prazo é só comparável à credibilidade das palavras de Cavaco, Carlos Costa e Maria Luís que levaram tantos incautos a investir em junho no aumento de capital do velho BES. Desenha-se na Europa uma guerra de trincheiras entre os que acreditam ainda na viabilidade do sonho europeu de liberdade, solidariedade e qualidade de vida e os extremistas que tudo subordinam à longa mão dos mercados.

Mario Draghi, Renzi e parece que até Juncker estão do lado dos que querem voltar a deixar os europeus respirar. Merkel, Schäuble, Passos e Maria Luís estão irmanados na seita fanática que quase nos colocou de volta aos perigos dos anos 30 do século passado.

Temos de rapidamente mudar de campo para evitarmos os danos irreversíveis de ficarmos gaseados de austeridade e "agarrados" ao empobrecimento. 

Mario Draghi Maria Luís Albuquerque Guerra Fria Parlamento Europeu Martin Schulz
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