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Eduardo Cabrita

Não é chinês

Os níveis de desemprego são piores do que em 2011, tornando-se estruturais.

Eduardo Cabrita 28 de Fevereiro de 2015 às 00:30

Acomunidade chinesa apostou em quem considera como provável próximo Primeiro-Ministro como convidado de honra para a celebração do início do ano lunar (ano da cabra).

A direita e o Governo, com a exaltação dos desesperados, excitaram-se com uma interpretação desfocada das palavras de circunstância (ainda que não plenamente assertivas) e de obséquio dos anfitriões proferidas por António Costa.

O esforço inglório tem o fito óbvio de desviar atenções do que ao longo da semana foi sendo dito em claro inglês ou em boa versão oficial portuguesa sobre o descalabro da ação do Governo.

A Comissão Europeia colocou Portugal sobre vigilância reforçada devido ao desequilíbrio macroeconómico e disse algumas coisas óbvias mas demolidoras. Que a pobreza aumentou e que os cortes nas prestações sociais são inaceitáveis. Que a reforma do IRS tem efeitos limitados e só beneficia os mais ricos. Que a fiscalidade verde não tem nada a ver com a defesa do ambiente e afeta a competitividade das empresas. Que os níveis de desemprego são piores do que em 2011, tornando-se estruturais, e que a maioria das vítimas já não recebe qualquer apoio do Estado, sem esquecer que a redução dos últimos meses é quase só estatística com base em estágios pagos com fundos europeus que deveriam ser para promover o crescimento e verdadeiras transformações estruturais da economia.

Finalmente que quase tudo está por fazer em relação ao combate à fraude fiscal, que não passa pelo folclore das faturas dos cabeleireiros e pastelarias, e que a causa da crise, a dívida pública, continuou a aumentar em 2014.

Igualmente o relatório anual sobre o emprego e as questões sociais divulgado esta semana a OIT arrasa o mito da engenharia social lusitana insistindo de forma incómoda no agravamento das desigualdades sociais e na incerteza no futuro dos trabalhadores portugueses. Perante este quadro, o que se exige é lançar bases sólidas para um acordo social de médio prazo que reúna empresários e trabalhadores em torno de objetivos para a evolução dos rendimentos até 2020 criando fatores de confiança que combatam o pessimismo que atormenta os portugueses. Para este futuro são urgentes as propostas do PS para que se possa dizer Zàijiàn (adeus) a Passos e Portas. 

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