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Eduardo Cabrita

Novo tempo

A imprensa livre é um dos mais preciosos diamantes dos regimes democráticos.

Eduardo Cabrita 26 de Novembro de 2015 às 00:30
Durante cinco anos este foi o meu espaço semanal de opinião expressa de forma livre, crítica, aqui e ali mais corrosiva mas sempre com espírito livre e um respeito sem reservas pela diversidade de opiniões e pela dialética democrática.

Devo ao Correio da Manhã e sobretudo ao seu diretor, Octávio Ribeiro, o reconhecimento pela minha palavra mesmo quando manifestamente desalinhada com a visão editorial. A imprensa livre e responsável é um dos mais preciosos diamantes dos regimes democráticos que importa preservar dos interesses económicos, das pressões mais ou menos ocultas, da tentação da intolerância e da pequenez da ignorância.

Ao longo dos últimos cinco anos olhei nesta página 2 o Mundo com uma especial atenção para o impacto na vida dos portugueses, no modelo social que construímos ao longo de quatro décadas e na qualidade da nossa democracia.

A crise profunda de valores e de identidade que afeta a Europa, pondo em causa o modelo construído desde a II Guerra Mundial, a crise provocada pela generalizada desregulação dos mercados financeiros e o desajustamento entre as expectativas criadas e a limitação dos meios de um País que em poucas décadas recuperou de uma letargia e obscurantismo de décadas abanaram violentamente Portugal nos últimos anos, colocando-nos num plano de incerteza desconhecido das últimas gerações.

As ruturas de um violento ajustamento, feito sem preocupação com a coesão social, deixaram marcas entre novos e velhos, empregados e desempregados, setor público e setor privado, que conduziram ao sismo político de 4 de outubro, cujas ondas de choque levaram tempo a ser totalmente compreendidas.

As últimas semanas determinaram a maior renovação do sistema político português desde a aprovação da Constituição da República e a abertura de um novo tempo de alternativa governativa, baseada em compromissos políticos com substância e mais alargados do que é tradicional.

Trazer para o domínio da criação de soluções inovadoras e politicamente sustentáveis partidos que representam cerca de 20% dos portugueses é um salto de maturidade democrática irreversível. Tenho com António Costa uma solidariedade de valores e geracional que me determina a participar ativamente neste novo tempo de criação de confiança na democracia e de redescoberta da esperança.

Espero corresponder à expectativa de tantos leitores que em nós confiaram. Até sempre.
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