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Eduardo Cabrita

O Banco Zombie

O Governo escondeu-se e a CMVM foi ignorada na semana que destruiu o maior banco privado.

Eduardo Cabrita 17 de Setembro de 2014 às 00:30

Há um fantasma chamado Espírito Santo a amaldiçoar o Governo Passos/Portas nascido da crise política habilmente gerada pela crise financeira global.

Para quem disse sempre que a questão central do País era a dívida, o acesso ao financiamento e a estabilidade do sistema financeiro, estes meses pós-troika têm sido um filme de terror do qual o Governo se tem tentado esconder por detrás do biombo chamado Carlos Costa.

Em maio, era celebrada com Conselhos de Ministros festivos e o relógio de Portas a saída da troika. Três anos de avaliações e de testes de stress atestavam a magnificência regeneradora da maior recessão em democracia, de uma dívida com uma dimensão italiana e do retrocesso no emprego, na educação ou na ciência. A recuperada pujança do sistema financeiro, com a exceção do controlo pelo Estado do periférico BANIF, era então uma das coroas de glória que davam sentido patriótico ao empobrecimento coletivo.

Em junho, surgiram nuvens sobre a promiscuidade entre os negócios dos ramos desavindos do clã Espírito Santo e operações de risco em empresas do grupo. Cavaco, Passos e Carlos Costa traçaram o cordão sanitário e apelaram à participação no aumento de capital do BES. Em julho, a gestão do BES foi corrida e substituída por aquilo a que Passos chamou gestores profissionais (por contraponto à família) liderados pelo salvador Vítor Bento. Maria Luís mostrou regozijo mas disse que não sabia de nada. Em agosto, o BES foi nacionalizado com o abono de 4,9 mil milhões de fundos públicos e dividido em lado "bom" e "mau" com gestões nomeadas pelo Estado. Tivemos Conselhos de Ministros clandestinos e promulgações urgentes de leis por medida. O Governo escondeu-se e a CMVM foi ignorada na semana que destruiu o maior banco privado nacional. Em setembro, os mesmos que idolatraram Vítor Bento fazem um assassinato de caráter, e de profissionalismo, enquanto é nomeada uma segunda administração a prazo com ligações óbvias a interessados na venda em saldo da maior rede bancária privada. O velho BES passou de crisálida de Novo Banco a zombie financeiro.

Desde Vasco Gonçalves que não se via um Governo tão expedito na destruição da credibilidade do sistema financeiro... 

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