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Eduardo Cabrita

O Bug do governo

Descrédito do serviço público afastou da causa quase todos os mais bem preparados.

Eduardo Cabrita 28 de Março de 2015 às 00:30
Este Governo assenta num perigoso caldo de cultura entre ódio ao Estado, fundamentalismo ideológico que aproxima a visão das políticas públicas da dos libertários de direita e uma obsessão extremista segundo a qual tudo o que é público é mau e constrangedor e o que é privado é bom e redentor.

A consequência foi que o descrédito do serviço público afastou da causa quase todos os mais bem preparados, fragilizou os serviços e entregou com a fraude CRESAP as estruturas às terceiras linhas dos aparelhos partidários do PSD e do CDS.

O liberalismo ideológico feneceu com o enorme aumento de impostos, com as privatizações que criaram monopólios de interesses públicos estrangeiros, com o caso BES e a incapacidade de fazer quaisquer reformas estruturais.

Mas se existe setor em que os pés de barro da vulgata liberal se escaqueiraram foi no abandono da dinâmica do Simplex, no regresso da hidra burocrática e na incapacidade para lidar com a sociedade digital.

Do colapso do CITIUS ao caos nas colocações de professores é possível traçar um padrão de indigência na perceção da relevância política da informática, relegada por um Governo ausente e autodeclarado como estruturalmente irresponsável para o canto das tralhas ditas técnicas.

A proposta grosseiramente inconstitucional das listas dos pedófilos, consagrando a inquisição digital, e a desgraçada lista Núncio dos VIP fiscais estão já numa fase de debochada degradação institucional de um Governo em decomposição.

O que estes casos têm em comum é uma visão do Estado que desconhece totalmente a noção de responsabilidade política, enlameando os padrões de dignidade estabelecidos por Jorge Coelho e Miguel Macedo, e uma inadaptação primitiva aos desafios da sociedade de informação.

A provada existência de um sistema de filtros, ou de uma lista, visando criar uma casta de contribuintes com foro especial sem qualquer habilitação legal, o seu funcionamento durante meses como o maior desafio informático da autoridade tributária como confessou um dos demissionários dirigentes e o seu anúncio a centenas de inspetores coexistiram com um Governo que se orgulha de só saber depois dos jornais. O anúncio destas novas está irremediavelmente ferido. A dúvida é se é dolo ou negligência.
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