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Eduardo Cabrita

O inútil de Belém

Passos nunca mais será levado a sério se voltar a tentar falar da reforma da segurança social.

Eduardo Cabrita 14 de Março de 2015 às 00:30

Esta semana, os portugueses confirmaram atónitos que são governados por quem acha que a segurança social se baseia em contribuições voluntárias dos profissionais liberais.

A questão é chocante para as centenas de milhares de jovens que nunca conheceram outra forma de remuneração senão o recibo verde pelo trabalho tão regular quanto possível, totalmente subordinado e sujeito à total chantagem da precariedade. Para estes, o domínio das regras de emissão de recibos, de entrega regular do IVA e de pagamento à segurança social foram matéria de aprendizagem obrigatória para assegurar os parcos rendimentos.

É óbvio que Passos Coelho nunca mais será levado a sério se tentar voltar a falar de reforma da segurança social ou da sua sustentabilidade. O lapso é humano, o contribuinte relapso não tem cara para exigir o rigor de terceiros.

A tudo isto, o inquilino de Belém, que exerce o mandato pro bono vivendo das suas reformas não sujeitas a corte, chamou querelas partidárias. Entre a preocupação estratégica com o sensível tema do futuro do Estado Social e o patrocínio de um apoderado partidário, optou por dar voz à pequena política. Para quem tão ausente tem sido na atenção para com as dificuldades dos portugueses, perdeu-se um sublime momento para a prudente disciplina do silêncio.

Esta semana, soube-se que foram rejeitadas propostas visando impedir que portugueses desempregados não fossem despejados de suas casas em processos de execução fiscal por dívidas exíguas e que muitos outros serão surpreendidos com aumentos médios de IMI de 40%, podendo ascender em alguns casos a 500%. Não ouvimos do supremo magistrado uma palavra, sempre escudado no biombo de que só toma posição sobre leis aprovadas.

Não foi assim quando empurrou tantos para a ilusão especulativa ao abonar o aumento de capital do BES, repetindo que toda a peçonha estava no desregrado GES, a poucas semanas da opção do Governo pela resolução do banco com 3,9 mil milhões de euros de apoio do Estado.

Mas finalmente não faltou uma ferroada no antecessor Sampaio por ter cumprido a Constituição ao nomear e depois demitir Santana Lopes. A única tarefa relevante a cumprir por Cavaco é marcar as eleições. Já o podia ter feito mas optou por ser um inútil em Belém.

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