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Eduardo Cabrita

Votar com os pés

Cavaco já sabe da dimensão da moção de censura dos jovens ao Portugal de hoje.

Eduardo Cabrita 16 de Maio de 2015 às 00:30
Ao fim de quatro anos de extremismo ideológico e de rutura social, um ano depois da conclusão do Programa da Troika com uma determinação que galvanizou os papagaios da imprensa salmão internacional e quando se encena uma coreografia de que o pior já passou e de que a alternativa democrática é um perigo, Cavaco Silva teve a sábia iniciativa de promover um estudo sobre as expectativas dos jovens sobre o estado de Portugal.

As conclusões ontem debatidas são uma estrondosa resposta aos que repetem todos os dias que os portugueses primeiro amocharam, mas depois habituaram-se e até estariam dispostos a renovar a confiança na atual liderança em troca de uma expectativa de gradual alívio da canga.

Incentivados a emigrar, acusados de viver acima das suas possibilidades e ingratos com a generosa multiplicação de estágios para licenciados a quase 600 euros mensais, os jovens afirmam por absoluta maioria estar a ponderar abandonar este ocidental paraíso.

Apenas 22% apreciam a qualidade da nossa democracia, 53% estão a considerar de imediato procurar trabalho no estrangeiro e uns arrasadores 70% ponderam a hipótese de zarpar para outras paragens.

Um Governo sem estratégia, uma economia que recuou 15 anos e ministros numa sofreguidão de desbaratar os últimos ativos relevantes na esfera pública estão na iminência de ficar sem povo. As prioridades de fim de festa são já uma desvairada orgia reveladora do desnorte de quem receia pelo iminente naufrágio. Admitir entregar a TAP à borla a quem quiser ficar com as dívidas e os pilotos, dar os transportes do Porto ilegalmente à empresa pública de transportes de Barcelona ou avançar para a concessão da Carris contra a Câmara de Lisboa está já ao nível do jogador de casino em desespero, apostando tudo entre o facto consumado e a derrocada final.

Cavaco já sabe agora da dimensão da moção de censura dos jovens ao Portugal de hoje e da vontade de votar com os pés abandonando o barco.

Devíamos ter eleições nas próximas semanas, se não fosse a escandalosa vontade de prolongar o martírio à espera do milagre e de complicar o início de vida do próximo Governo obrigado a fazer à pressa um Orçamento fora de horas. Está nas nossas mãos evitar daqui a poucos meses um voto em massa com os pés...
Cavaco Silva Governo TAP emigração política
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