Barra Cofina

Correio da Manhã

Colunistas
7
Piloto morre em corrida de motos no Estoril

Eduardo Cintra Torres

143 intervalos por dia

Cada um dos quatro canais teve em média 36 intervalos.

Eduardo Cintra Torres 15 de Fevereiro de 2015 às 00:34

Os intervalos comerciais são o conteúdo mais frequente na TV generalista. Tomando o mês de Janeiro por amostra, cada um dos quatro canais teve em média 36 intervalos comerciais por dia. É quase o dobro dos programas que apresentam. Os intervalos representam mais de 12% do tempo diário dos generalistas: três horas por canal.

Nestes dados, fornecidos pela Mediamonitor/MMWCaemTV, incluí os anúncios comerciais externos (automóveis, detergentes, etc.) e os anúncios comerciais internos (autopromoções, agradecimentos, comunicação apoiada por marcas e divulgação comercial). Excluí as televendas, que são programas comerciais propriamente ditos e não intervalos.

Considerando só a publicidade comercial externa, os intervalos das quatro estações tiveram em média 12’27. Dada a redução por lei da publicidade na RTP 2 e de seis minutos na RTP 1, os dois privados contribuíram mais para esse valor, em especial a SIC. Na RTP 1, os anúncios comerciais externos representaram em Janeiro 6,5% do total das emissões; na SIC e na TVI, representaram mais do dobro, cerca de 14%.


Assim, os intervalos impõem-se como um elemento constitutivo essencial da programação generalista. São um dos principais géneros televisivos em tempo e o principal em número de ocorrências.

Os generalistas conhecem bem o efeito do zapping durante os intervalos. Por isso, têm desenvolvido tácticas para nos manter agarrados. Uma é a "contagem decrescente". Depois de décadas impondo intervalos que não se sabe quando acabam, estes novos intervalos informam sobre a duração e apresentam um relógio em contagem decrescente. A SIC usou-os menos em Janeiro do que a TVI, com 18 inserções deste tipo de apenas um anúncio. A TVI multiplicou a táctica: pôs 829 anúncios em intervalos de contagem decrescente, alguns só de um anúncio, outros chegando aos 18, num total de seis minutos. Desconheço se é eficaz anunciar que o programa não-comercial só regressa daí a seis minutos, uma eternidade em TV.

Outra táctica comercial, neste caso também na RTP 1, é a dos "blocos extra", uma inovação: no meio dos anúncios, vem um separador… para um anúncio "especial", seguido doutro separador e de mais anúncios. O anúncio assim singularizado é uma "publicidade de primeira", decerto mais cara, e o pacote de anúncios antes e depois desse são "publicidade de segunda", a menor custo. Estas novas tácticas tentam evitar os danos causados pelo zapping. Para os generalistas comerciais, a publicidade é essencial, e eles querem que também o seja para nós.


Borgen: ficção de excelencia
A série dinamarquesa ‘Borgen’ (2010-13), que a RTP 2 transmitiu diariamente durante várias semanas, é da melhor ficção europeia actual, no argumento, temas, escrita, realização e interpretação. Tem dois pólos: a vida política partidária e parlamentar; a vida interna num canal público de TV. As duas cruzam-se a todo o instante. Como algumas séries americanas, a estória inventa partidos e canais de TV para representar os reais; mostra as intrigas políticas mudando o rumo da vida do país, mostra o jornalismo mais "sério" e o mais sensacionalista, mostra as pressões pelas audiências no canal do Estado e seu efeito nos conteúdos; mostra como políticos e TV tratam problemas sérios da sociedade.


Já agora: Jon Stewart deixa Daily Show
Jon Stewart fez dum talk show nocturno no cabo um dos mais importantes programas da TV americana e mundial. Com ele, o ‘Daily Show’ foi primoroso, cirúrgico, sério e divertido na sátira da política e dos media, em especial canais de TV. Stewart foi excelente nos sketches humorísticos e também como entrevistador.

intervalos eduardo cintra torres canais tv televisão tv generalista
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)