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Eduardo Cintra Torres

As imagens silenciadas

A TV vive de imagens.

Eduardo Cintra Torres 24 de Maio de 2015 às 00:30

O vandalismo e o saque no estádio de Guimarães e os distúrbios no Marquês foram mais graves do que a agressão a um adepto à saída do estádio vimaranense, mas os media foram desproporcionados na atenção a este caso. O subcomissário agrediu um benfiquista, enquanto os outros crimes foram obra de benfiquistas.

O interesse jornalístico da agressão é inegável, razão pela qual as imagens exclusivas da CMTV saltaram para todos os canais e correram mundo. Porque foi notícia? Porque houve excesso do subcomissário; decorreu em frente aos filhos do agredido, num país com uma relação intensíssima com as crianças; e, principalmente, porque havia imagens de TV. Uma agressão pelo mesmo subcomissário, em Abril, não foi noticiada — não havia imagens. Já apareceram notícias de outras. A TV vive de imagens. Em Inglaterra, a Sky News está em debate interno sobre o possível abandono de notícias, mesmo importantes, que não tenham imagens disponíveis. Se o fizer, será o primeiro canal a assumir em pleno a supremacia da imagem sobre a palavra (sobre o conteúdo).

Se o valor informativo da agressão em Guimarães é indesmentível, já é muito discutível que se sobrepusesse à destruição no estádio e ao saque do armazém do Vitória por pessoas que pareciam passear no shopping. Nem vi questionamento em profundidade do sucedido, nem audição de testemunhas, nem busca de justificação da inacção da PSP.

No Marquês ainda foi mais grave: 112 feridos, furtos, perseguições, detenções, 16 polícias feridos. Bastaria isso para que houvesse maior atenção dos media, tanto mais que, tal como a agressão, também estes distúrbios e o vandalismo no estádio do Vitória tiveram imagens de imediato, a que se juntaram as dum telemóvel, dias depois, do saque no armazém.

Os dias seguintes vieram revelar contornos políticos no caso do Marquês. O Benfica e a Câmara de Lisboa, conluiados para benefício mútuo com o que chamaram "a maior festa de sempre" (viu-se!), pressionaram a PSP para fazerem a festa à sua maneira e a direcção da polícia amochou. Pior, mandou o corpo de segurança para um local de alto risco sem protecção, impedindo resposta adequada desde o primeiro minuto. O novo presidente da CML, que é co-responsável, desdobrou-se em declarações para sacudir a água para cima da PSP, que tem menos margem para declarações públicas. Todos erraram, mas só o futebol e a política são impunes. Prosseguem as notícias contra polícias agressores, e bem, mas o silêncio sobre o papel do Benfica e da CML é ensurdecedor.

Sócrates: seis meses depois

A primeira detenção de sempre de um ex-chefe de Governo começou por motivar compreensível choque, como o dos comentadores socratinistas que disseram mal do ‘reality show’ dos primeiros dias participando nele. Depois foram as tentativas do detido, do seu grupo e advogados para ganharem a batalha mediática enquanto julgavam conseguir a libertação. Falharam. Depois foram as entrevistas de Sócrates, que mais o enterraram do que ajudaram, pois não explicou as suspeitas, julgando que bastaria a politização e a vitimização. Falhou. Entretanto, a mediatização fez-se à porta da prisão. Passou. O caso está agora onde começou: é um processo judicial. Só isso é uma enorme derrota para Sócrates.

O assassino e o insensato

Que os republicanos maçons fizessem do assassino do rei D. Carlos um herói, vá que não vá. Agora que em 2015 José A. Carvalho fizesse a apologia do Buíça no ‘Jornal das 8’ é inacreditável. E mais ainda numa emissão sobre o Museu dos Coches, criado pela mulher do rei. A ignorância e a insensatez não têm limites.

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