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Eduardo Cintra Torres

Audiência ruidosa mas não medida

Só a selecção nacional arranca os portugueses do sofá e os leva para locais públicos para partilhar alegrias e tristezas.

Eduardo Cintra Torres 8 de Julho de 2016 às 01:45
O único estudo que conheço sobre audiência fora do lar de futebol tem uns 15 anos, mas os dados ainda estarão certos: cerca de um terço da audiência não é registada, porque a audimetria só mede em lares. No caso dos jogos da Selecção, será maior.

Os canais de informação mostram inúmeras praças, "fan zones", esplanadas e restaurantes cheios de gente que partilha em público o seu apoio, alegrias e tristezas. Haverá mais de um milhão de portugueses, um décimo da população, a ver a bola na rua.

A Sport TV anunciou para Agosto um canal de informação desportiva de acesso livre no cabo, em alta e baixa definição. Enquanto a maioria do governo impõe administrativamente o perfil de canais da TDT, o mercado lá vai funcionando com mais liberdade.

A RTP2 melhorou no último ano, com séries europeias, como ‘Uma Aldeia Francesa’, filmes não-hollywoodescos e uns poucos programas portugueses documentais, como a série ‘A PIDE antes da PIDE’. A programação ganhou sentido, apesar do pequeno orçamento.

Mas nem tudo são rosas. Os programas portugueses estão "burocratizados". E alguns programas nacionais de grande interesse público, como ‘A Vida Secreta dos Insectos’, passam em horário absurdo, desvalorizando uma invulgar produção interna de qualidade.

‘Love on Top 2’: jovens desinteressantes negoceiam namoros, fazem strip e sexo e não dizem coisa com coisa. O programa tem alguma audiência, mas não atrai os jovens. A sua principal audiência tem entre os 55 e os 74 anos e menos poder económico.

Libertação
Dei uma má notícia, agora dou o desfecho positivo. Condenei no CM a prisão da jornalista do Azerbaijão Khadija Ismayilova, em 2014, que investigou a corrupção e apropriação de bens do Estado pelo presidente e sua família. Em todo o mundo (cá não vi mais nada) jornalistas e organizações dos direitos humanos denunciaram a prisão, o que levou à sua libertação em Maio.

Trabalhadores
A multiplicação de canais e diminuição da audiência e relevância dos generalistas levou ao apagamento duma figura histórica da TV: o apresentador do principal noticiário. Os EUA elevaram a um estatuto mítico alguns jornalistas apresentadores, como Walter Cronkite. Por cá, nunca chegaram às mesmas alturas, mas também se nota que já vão sendo, como tantos outros, meros trabalhadores do ecrã.
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