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Eduardo Cintra Torres

Cartazes longe de Lisboa

São cartazes de gente comum, sem verba para pagar às grandes agências.

Eduardo Cintra Torres 24 de Setembro de 2017 às 00:30
É tão fácil encontrar cartazes cómicos por esse país fora. Uns são involuntariamente cómicos, como o do PCTP- MRPP que diz "Ruptura com o Passado!" ilustrando as fotos de dois simpáticos velhinhos que se candidatam na Moita por esse esotérico partido. Ou o do candidato independente em Santa Clara que diz "Não ficaremos de braços cruzados!" e se fez fotografar de braços cruzados.

Alguns pretendem, ao invés, ter uma nota de humor voluntário, como o maroto slogan dos três homens risonhos que se candidatam pelo PS no Peso da Régua anunciando: "A nossa é maior que a deles!" É um slogan metafórico, pois, se "a" andassem a comparar com "a" dos outros, a coisa ficaria esquisita.

Estes cartazes fazem as delícias de gozo dos media e em redes sociais. Mas há nesta troça uma marcada sobranceria de "classe".

O pessoal urbano das redacções nacionais e os copiadores facebookianos dos "tesourinhos" autárquicos adoptam, na superioridade do seu "bom gosto", o ponto-de-vista, para não dizer a ideologia, de quem está inculcado pela retórica política saída de Lisboa ou Porto e pelo profissionalismo e a estética cuidada das grandes agências publicitárias.

Eu prefiro ver os cartazes locais como obra de pessoas comuns que não têm orçamento para recorrer a essas agências sofisticadas; que vivem e divulgam a sua política - uma política do povo - diferente da que nos impõem as sedes dos grandes partidos e os publicitários de inspiração estimulada no Bairro Alto e em tascas gourmet com menu em inglês.
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