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Eduardo Cintra Torres

É preciso escrutínio independente

Esta ânsia de controle da LUSA, que já é possível, como se viu, na governação socratinista.

Eduardo Cintra Torres 2 de Abril de 2017 às 00:30
Um dos media mais influentes, se não o mais influente, é desconhecido da esmagadora maioria da população: a agência LUSA. As agências de notícias foram inventadas no século XIX, quando houve a explosão de comunicações, como o telégrafo, o telefone e os grandes jornais diários. Eram privadas. Não trabalhavam directamente para os leitores, mas para as próprias redacções, que podiam aproveitar como quisessem as notícias recebidas pelo telégrafo.

Trabalhando para jornais nacionais e internacionais com enorme variedade editorial, desenvolveram e apuraram o estilo jornalístico mais próximo da objectividade: descrição, descrição e descrição dos eventos e declarações, sem adjectivos e opiniões. Aumentando muito os seus serviços desde então, bem como a base de clientes (também as embaixadas, instituições, empresas), as agências mantêm o modelo original. E ainda bem. Em Portugal, o Estado detém mais de 50% do capital da LUSA, sendo, portanto, quem manda. O modelo foi aceite pelos media privados, pelo que é adequado e pacífico. Mas não para todos.

Terça-feira participei num debate parlamentar na Comissão de Cultura sobre a LUSA. Intervieram deputados dos maiores partidos. Deu para perceber que o BE e o PCP querem nacionalizar os 49% privados. Não tarda, julgo, apresentarão legislação nesse sentido. Para estes partidos, onde há privados há malfeitores. Como Salazar e Lenin, querem um Estado tentacular. Apercebi-me que querem o controle total pelo Estado para mais facilmente controlarem as estruturas da LUSA e o mais importante, a sua produção noticiosa, dada a importância que tem em todos os outros media.

Esta ânsia de controle da LUSA, que já é possível, como se viu, e de que maneira, na governação socratinista, torna mais premente a concretização da proposta que ali apresentei: criar um meio independente de escrutínio da produção noticiosa da LUSA, com recurso a equipas de universidades, para verificar o cumprimento de princípios jornalísticos, como os valores-notícia, o agenda-setting, o contraditório e a (in)existência de enviesamento.

Este tipo de escrutínio acresceria à análise quantitativa, como é feita para a RTP. No caso da LUSA, nenhum escrutínio é feito, nem mesmo o de nomeações, como a recente de alguém suspeito de ligações governamentais para cargo importante na LUSA: não tem qualquer experiência na área e caiu do céu na redacção, motivando, aliás, a demissão de um jornalista.

Esta intervenção foi brutal, mas nos conteúdos ela é cada vez mais sofisticada, tornando necessário um escrutínio independente, que, para mais, fomentaria a literacia mediática.

Fascismo intelectual de ‘esquerda’ 
A socialista Estrela Serrano, que durante anos liderou na ERC o ataque ao jornalismo livre e independente, atacou agora maliciosamente a RTP.

Uma equipa da RTP foi agredida quando fazia uma reportagem à porta de uma escola onde há uma acusação de alegado abuso sexual. Havia um conflito e a RTP foi, e muito bem, fazer jornalismo. Segundo a hipótese de Serrano, a RTP foi lá para filmar as crianças envolvidas, quando nada na reportagem permite descortinar essa intenção. Mas Serrano teve de inventar essa hipótese para, retoricamente, concluir que a equipa da RTP acabou agredida "como seria de esperar". Como seria de esperar?! Por quem? Só se foi pela própria Serrano.

Nada de novo, vindo de Serrano, um expoente do fascismo intelectual de ‘esquerda’ que utiliza os meios mais soezes para denegrir, atacar e afastar quem tenta fazer jornalismo normal e independente. Ficámos a saber que o PS gostaria de uma informação ainda mais domesticada na RTP. 

Pesadelo na cozinha, paraíso do espectador 
A sociologia ajuda a explicar o êxito de ‘Pesadelo na Cozinha’ (TVI): os portugueses têm uma salutar fixação na alimentação; e somos o país das tabernas, cafés e restaurantes, dos populares aos gourmets.

Em cada esquina um amigo — e uma tasca. Entre a imundice e o aprumo, há de tudo. O programa mostra a imundice. É de ver e vomitar por mais.
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