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Piloto morre em corrida de motos no Estoril

Eduardo Cintra Torres

Enquanto se joga à bola

Marcelo sofre da síndroma das estrelas de TV e do cinema: precisa de ser amado pelo maior número.

Eduardo Cintra Torres 19 de Junho de 2016 às 00:30
Enquanto nos entretemos com o Euro 2016, Portugal caminha para uma crise económica e financeira profunda. Deliberadamente. Todos os indicadores económicos estão no amarelo ou já estão no vermelho. Instituições nacionais e internacionais lançam avisos todas as semanas.

Entretanto, querem-nos anestesiados. Não é só o Euro. António Costa, que comentadores e editoriais dalguns media alcandoram a génio da táctica, segue uma estratégia que leva o País à recessão, para se ir mantendo no poder, entregar o Estado ao PS, cedendo às exigências do BE e do PCP, sonhando que o PS possa ganhar futuras eleições, depois de as perder em 2015. Costa fá-lo com plena consciência de que empurra o país para o abismo, mas que interessa termos de pagar o saco roto lá para o fim do ano se agora Costa atira migalhas diárias ao povo — e a Selecção ainda tem um jogo para se qualificar?

E não é só Costa. Marcelo Rebelo de Sousa, que sofre da síndroma das estrelas de televisão e do cinema — precisa de ser amado pelo maior número —, escolheu uma performance presidencial arriscadíssima, falando sobre tudo, como comentador, exagerando no optimismo irracional, mesmo sobre resultados do futebol. Em busca de imagens para os telejornais, permite que os seus gestos literais se transformem em metáforas fortes, mais fortes que as próprias imagens, caso do guarda-chuva governamental em Paris, sugerindo que o protegia, no final de três dias em França de braço dado com o primeiro-ministro; e prepara-se agora para mais festa com Costa no S. João do Porto, para repetir imagens que valerão como novas metáforas. Ao mesmo tempo, transforma as antigas "photo opportunities" presidenciais em "selfie opportunities" populistas, banalizando a aura majestática do cargo, alimentando a festa opiácea que o governo deseja, sem qualquer benefício para o país.

O presidente ocupa de tal forma o espaço mediático com "selfie opportunities" e declarações inopinadas, chegando a imiscuir-se publicamente na vida das outras instituições, que corre o risco de a sua aura cair na lama, com o país, quando chegarem as primeiras chuvas de recessão no Outono.

Marcelo Rebelo de Sousa, tal como António Costa, age como um táctico, em benefício da sua carreira presidencial, de braço dado com a irresponsabilidade governativa. Faz da presidência um estúdio de televisão. Ele e Costa terão sempre o guarda-chuva das tais elites que Marcelo amaldiçoou, mas de que ambos fazem parte. Para o povo sobrará a borrasca da recessão — e as imagens dum tempo de festa irresponsável que o próprio povo não pediu e em que, desde 2011, já não acredita.

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A ver vamos: "Serviço Público" - A Europa não interessa, só o Euro
A RTP mobilizou dezenas de técnicos, jornalistas e comentadores para a cobertura do Euro. Em França. Cá. Nos estádios. É uma festa total. Entretanto, a vida séria está a chegar. Os britânicos votam a saída da União Europeia, que enfrenta uma crise seriíssima. Bruxelas decide sobre sanções a Portugal. O terrorismo ameaça França e Bélgica. E, mesmo no Euro, hooligans partem cabeças e mobiliário urbano em Marselha e Lille.

Estava lá a RTP? Não. A selecção portuguesa não jogava lá. Está a RTP em Bruxelas? Não. Está sem correspondente. Tem correspondente em Paris, sem ser para o Euro? Não. Tem correspondente em Londres? Não. SIC e TVI, os "horríveis privados" que não fazem "serviço público", também nos empanturram com o Euro, mas têm, ao menos, correspondentes em Bruxelas.

Que contentes deverão estar o governo, o presidente, o Sistema. Para quê falar da Europa quando há o Euro? A RTP cumpre o serviço sistémico a que chama "serviço público".

Já agora: Sistema quer censurar a verdade sobre a CGD 
Há muito que não víamos o Sistema tão de acordo e tão amedrontado: António Costa, Marcelo, Carlos Costa, Carlos César, Ferreira Leite, Bagão Félix, Jorge Coelho, BE, PCP, PS querem evitar uma comissão de inquérito à Caixa, por proposta surpreendente do PSD. Querem censurar o conhecimento de factos. Querem defender-se e enganar o povo.
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