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Eduardo Cintra Torres

FIFA: A culpa também é nossa

Raramente os casos de corrupção no futebol partem da investigação própria dos media.

Eduardo Cintra Torres 31 de Maio de 2015 às 00:30

Poucos dias antes do Mundial do ano passado, escrevi uma pequena crónica no CM em que dizia: "Falcatruas e mais falcatruas em Mundiais de futebol, bem documentadas pelo ‘New York Times’ na semana passada. Mas o que é que isso interessa? Falcatruas enormes na escolha do Qatar para o Mundial de 2022, bem documentadas pelo ‘Sunday Times’ no domingo passado. Mas o que é isso interessa? Provas de ‘jogos combinados’ na época 2013/14, incluindo três jogos da II Liga portuguesa, num relatório duma organização de casas de apostas entregue esta semana no Parlamento Europeu. Mas o que é que isso interessa? Principais clubes de futebol portugueses com passivos gigantes. Mas o que é que isso interessa? A ligação dos adeptos ao futebol é como a paixão amorosa: o amor cega, quem feio ama, bonito lhe parece. Não queremos más notícias! Não queremos verdade!"


Mesmo com algumas investigações fundamentadas nos media, parecia que vivíamos no melhor dos mundos, o do esférico a rolar, ingénuo, sobre o relvado. A atracção pelo jogo, de tão forte, assemelha-se a um vício cujos malefícios se procura esquecer. Infelizmente, não são apenas os amantes do futebol que entram nesta girândola sem saída. Também os media. Raramente os casos de corrupção no futebol português ou internacional partem de investigação própria dos media, receosos de perderem a afeição dos públicos adeptos dos clubes ou organizações visadas. Os casos que aparecem resultam de investigações judiciais; só então, com esse respaldo, são tratados pelos media. Agora, foi preciso um tribunal de Nova Iorque para começar a operação de limpeza da FIFA, sobre a qual recaíam suspeitas generalizadas de corrupção.

Este incumprimento da missão do jornalismo, que não deve olhar às preferências do seu público, mas para o interesse informativo e a busca da verdade, também contribui para o pântano dos pequenos e grandes "casos" no futebol. Quem sabe?, se em anos passados o jornalismo tivesse investigado a fundo e com persistência o que se passou na FIFA, Rússia e Qatar não teriam sido escolhidos para os próximos Mundiais e Blatter já estaria reformado. E quem fala na FIFA fala também dos "casos" nacionais. Eu desinteressei-me do futebol há uns 30 anos, quando verifiquei que era menos o jogo da bola do que um xadrez de combinações fora do campo. O "mundo" do futebol, infelizmente, ainda não me deu razões para mudar. Nem os tribunais portugueses conseguem desfazer a teia. Talvez agora um tribunal de Nova Iorque consiga abrir o caminho. Talvez. Talvez.

Cymerman: se mais houvesse

Uma óptima reportagem de Henrique Cymerman no Curdistão iraquiano (SIC, quinta-feira) confirmou a excelência do jornalismo do correspondente da SIC e de media estrangeiros no Médio Oriente, baseado em Israel. O trabalho que realizou ao longo dos anos facilita-lhe o acesso a líderes mundiais e regionais, como neste caso, e a informação privilegiada.

É fácil entender qual o seu ponto de vista sobre os temas abordados, mas isso não afecta a objectividade, a qualidade e a solidez da informação transmitida. É uma grande mais-valia para a SIC poder contar com os trabalhos de Cymerman e só nos faz lamentar que não haja mais uma meia dúzia como ele nos outros principais canais portugueses.

Autopromoção no Jornal da Noite

A jornalista Clara de Sousa falou em directo com o repórter da SIC na abertura da Feira do Livro.

No final, disse-lhe que ela mesma irá à Feira nos dias tal e tal e que espera contar com o repórter lá.

Consultei o calendário da Feira: Clara de Sousa mencionou as datas das sessões de autógrafos de um livro seu.  

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