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Piloto morre em corrida de motos no Estoril

Eduardo Cintra Torres

Incrível, inadmissível, incompatível

Que decisão pode tomar a Entidade reguladora para os media na próxima semana senão um parecer negativo?

Eduardo Cintra Torres 10 de Setembro de 2017 às 00:30
O governo indicou o ex-embaixador Seixas da Costa para o Conselho Geral Independente (CGI) da RTP. O CGI foi uma criação do então ministro Poiares Maduro para criar uma almofada entre o governo e a RTP. Até agora, funcionou um bocadinho, mas pouco. ‘Tradições’ nacionais como a intervenção governamental na TV e rádio públicas são difíceis de contrariar. O que se tem visto é que, em vez de dar ordens à RTP, o governo ‘sugere’, e a RTP engole. O governo quer, a RTP faz.

Ex-embaixador, reformado, Seixas da Costa é hoje administrador da Jerónimo Martins, representante da Unilever, um dos maiores anunciantes do mundo, incluindo na RTP. É administrador da EDP Renováveis, um dos maiores anunciantes em Portugal, incluindo na RTP. É administrador da Mota-Engil, uma das maiores construtoras nacionais, também anunciante. Sobre a dimensão ética de Seixas da Costa, escreveu Paulo Morais, da Frente Cívica, que ele, na UNESCO, "ajudou a EDP a obter autorização para construir a barragem do Tua e destruir parte do Alto Douro. A construção da barragem do Tua ficou a cargo de consórcio liderado pela Mota-Engil. Seixas da Costa é agora administrador... da EDP; e administrador... da Mota-Engil". É este homem do viscoso ‘sistema’ político, ligado em simultâneo ao grande capital privado e ao PS, que o governo queria e quer pôr à frente da empresa estatal de serviço público de rádio e TV.

Quando há anos se propôs o nome do professor e crítico João Lopes para o CGI foi um corrupio por ele escrever crítica de cinema e também de TV na imprensa. Essa tenebrosíssima incompatibilidade teve por objectivo, concretizado, impedir o independente João Lopes de ir para o CGI. Entretanto, pelo menos um membro que ‘passou’ esse crivo, Manuel Pinto, continuou a comentar na imprensa. Não veio mal ao mundo. E Seixas da Costa, que é comentador em vários media?

Seixas da Costa tem incompatibilidades brutais, inaceitáveis. Que decisão pode tomar a ERC na próxima semana senão um parecer negativo? Não preferirá o governo retirar a nomeação, tanto mais que o anterior governo nomeou uma mulher e o governo desrespeita assim a sua lei recente que impõe a paridade nos órgãos sociais de empresas públicas? A escolha não foi ‘sem querer’, como o tiro que Seixas da Costa deu em 1975 a um camarada militar, o jornalista Simões Ilharco, que esteve entre a vida e a morte. "Se eu te desse um tiro?", disse o impulsivo Seixas da Costa ao camarada. E deu. Na altura desculpou-se, que "foi sem querer". Agora, ele sabe muito bem o que quer, e António Costa também: uma RTP mansa e envolta nas negociatas do ‘sistema’.

O assalto ao aparelho de Estado 
Uma investigação jornalística de ‘Sexta às 9’ (RTP 1) revelou o desrespeito pela lei no assalto do PS ao aparelho de Estado, no caso na Protecção Civil (ANPC).

Com uma voragem sem limites, o governo cospe nas próprias leis do Estado. Tanto como as falcatruas no topo da ANPC com a bênção do governo, impressionou a denúncia, por autarcas e responsáveis do combate aos incêndios, de mentiras do comando da ANPC sobre os meios adstritos ao combate nos concelhos do interior durante a devastação ardente.

Mentir neste domínio é o cúmulo do asco da ‘política de comunicação’, é sobrepor a ‘boa imprensa’ à vida das pessoas, aos seus bens e economia.

O assalto ao aparelho de Estado começou há muito, mas fontes do governo conseguiram convencer a jornalista Ana Sá Lopes, do ‘Sol’, que o PS não quer maioria absoluta precisamente para conter os vorazes do aparelho socialista, uma mentira que seria uma anedota se não tivesse trágicas consequências.

Gordo continua gordo, audiência emagreceu
‘O Preço Certo’ (RTP 1), que perdeu mais de metade da audiência em nove meses, recomeçou anunciando ‘nova imagem’ para o mesmo conteúdo, mas nem se dá pela mudança. Tímidas ou cautelosas são outras novidades nas grelhas dos canais generalistas. É a sua nova e estranha lei: em apostas que perdem não se mexe!
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