Isso podia ter graça, mas

Eduardo Cintra Torres

Isso podia ter graça, mas

Qual prima- dona, Ricardo Araújo Pereira acha-se o dono disto tudo.
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Por Eduardo Cintra Torres|20.09.15
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A direcção de Informação da TVI coloca de novo um programa de entretenimento no seio do seu principal noticiário, o ‘Jornal das 19h58’, cedendo à confusão de géneros e à dignidade do jornalismo. Vem na linha do jornalismo ali praticado: cada vez mais infoentretenimento, nos temas e nas notícias escritas de forma a serem engraçadas. ‘Isso É Tudo Muito Bonito, Mas’ emparelha com a rubrica no mesmo noticiário em que Victor Moura-Pinto vai às feiras ouvir feirantes e clientes para poder fazer umas larachas, por vezes enviesadas, sobre a política. E, assim, jornalistas acham-se na obrigação de se armarem em humoristas, da mesma maneira que Ricardo Araújo Pereira (RAP) representa o papel de jornalista.

RAP é hoje o faz-tudo dos media nacionais: escreve na ‘Visão’, faz rádio, faz publicidade, faz comentário político, também em modelo de entretenimento, no ‘Governo Sombra’ (TVI 24), dirige uma (excelente) colecção de livros numa editora. Ei-lo agora em destaque no ‘Jornal das 19h58’: o senhor da Meo foi agora para o meio das notícias.

‘Isso É Tudo Muito Bonito, Mas’ tem boas graças, mas, no geral, tem pouca graça. É mal amanhado, pouco profissional. As graças estão mal construídas. A capacidade de representação de RAP não compensa (atrapalha-se amiúde), além de, por excesso de exposição mediática, os tiques cómicos já não surpreenderem. Os seus dois antigos companheiros da alegria no extinto ‘Gato Fedorento’ parecem estar a fazer um frete ao amigo.

Acresce o enviesamento político de RAP no programa. Que ele o tenha, tudo bem. Mas num noticiário dum canal generalista? Nos primeiros cinco programas fez piadas suaves sobre quatro líderes parlamentares e atirou-se que nem um leão ao quinto, Passos Coelho. Ou porque não gosta dele, ou porque Passos rejeitou o convite para ir ao programa. Qual prima-dona, RAP acha-se o dono disto tudo e, portanto, foi-lhe intolerável que alguém recusasse ir ao programa. Deste modo, dedicou dois programas inteiros a malhar em Passos, o segundo e o que teve Costa como entrevistado (e no qual esteve à beira de dizer que vota PS).

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