Os boys e as mulheres assim-assim

Eduardo Cintra Torres

Os boys e as mulheres assim-assim

O cinema e a TV portugueses têm tido aversão a ficcionar a política nossa contemporânea.
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Por Eduardo Cintra Torres|18.09.16
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Veio Setembro e a RTP1 trouxe séries às noites de semana. À segunda, retomou uma série de ficção bem conhecida, ‘Prós & Contras’, que "debate" uma questão para que o sistema que nos oprime mantenha a aparência de solidez e possa continuar a oprimir-nos sossegadamente.

Quase todas as semanas, lá se blá-bleia um problema candente para o qual o governo do momento já tem "propostas" e "soluções". E lá se senta, em lugar cativo, um governante ou seu porta-voz, na mesinha do lado esquerdo ou na do lado direito. O Governo agradece e Fátima Campos Ferreira permanece. O ‘Prós & Contras’ chegaria para a RTP existir.

À terça, passa ‘Mulheres Assim’. O episódio de estreia foi ao jeito de comédia de enganos: quatro personagens dialogam sem que das palavras surja verdade, antes complicações nas relações entre si. O segundo episódio desviou para a família duma personagem secundária, e passou para o drama em tom ligeiro.

Foi também de enganos este drama, com a nova protagonista sem saber quem era por causa duma amnésia esquisita que lhe deu às voltas de carro numa rotunda. A série tem enganos a mais: é mal escrita e a intriga acumula pormenores irrealistas, dando vontade de rir pela falta de graça e de interesse nas situações e nos diálogos; está mal realizada; a música é uma xaropada; usa a repartição do ecrã como "modernice" sem sentido para o género, o estilo e para a própria narrativa.

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