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Eduardo Cintra Torres

Rouba, mas faz? Mas rouba!

O político corrupto 'faz obra' para roubar, para poder continuar a roubar.

Eduardo Cintra Torres 26 de Setembro de 2017 às 00:31
"Eu roubo, mas faço": a frase de Adhemar de Barros, antigo governador do Estado brasileiro de S. Paulo, tem servido para retratar políticos corruptos que conseguem obter o voto popular mostrando dinamismo. São ladrões que apresentam obra.

A desfaçatez da afirmação só foi possível no país do Carnaval. Nunca a ouviremos a um político português que seja corrupto público e notório, e até condenado a pena de prisão. Negam sempre. Vivem de mentir. A expressão também só existe por causa de uma terrível percepção da realidade pelos cidadãos: a de que, sendo 'todos' os políticos corruptos, é preferível, ao menos, eleger os que "fazem coisas". Temos por cá vários exemplos.

Os cidadãos que votam conscientemente em corruptos deixam de lado a honestidade como condição essencial da política. Se uns são corruptos na política porque roubam, lamento dizê-lo, mas os cidadãos que neles votam conscientemente corrompem a sua própria cidadania e integridade moral. Porque, quanto a valores duns e doutros, a frase tem a ordem dos factores invertida: a realidade política deste fenómeno não é "ele rouba, mas faz", mas antes "ele faz, mas rouba". Ele, ou ela, faz obra para roubar, para poder roubar, para poder continuar a roubar.

E rouba quem? Rouba os próprios munícipes, todos os munícipes. Se não roubasse, a vida no município seria mais barata, as casas também - e haveria menos 'luvas' nos serviços, pois se ele ou ela é corrupto, funcionários há que seguem o 'exemplo'. O munícipe paga a taxa da corrupção.
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