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Eduardo Cintra Torres

Se isto não é povo, onde está o povo?

Um militante partidário, um estagiário do próprio canal, um advogado de topo... eis os "representantes" do "povo", diz a TVI. Também quero!

Eduardo Cintra Torres 31 de Julho de 2015 às 00:30
1 - A TVI diz que não sabia que este "popular" é militante e ex-dirigente do Bloco de Esquerda. O caso mostra um dos problemas das entrevistas a políticos com "populares". A pergunta que fez foi precedida de um mini-discurso político.

2 - Já sobre este "popular", a TVI tinha de saber que ele é ou foi… trabalhador da TVI. Esteve ou está lá como estagiário, mas a TVI ocultou o facto ao entrevistado e aos espectadores. A TVI não pode dizer que não sabia; e sobram dúvidas quanto ao outro caso.

3 - Outro "popular" foi um advogado de topo, Magalhães e Silva, com muitos anos na administração de Macau e assessor do presidente Sampaio durante 10 anos. Como se gritava nas manifes durante o PREC, "se isto não é o povo, onde é que está o povo?"

4 - Aqui fica a minha modesta proposta à TVI: use também este modelo de entrevista-espectáculo com empresários, dirigentes desportivos e, já agora, com directores de canais de TV. Haveria perguntas muito interessantes. Eu ajudo a escolher os "populares"…

5 - Ana Sofia Vinhas saiu da TVI para a EDP em 2008, onde já trabalhava Sérgio Figueiredo, hoje director de informação da TVI e TVI 24. Vinhas é familiar de António Prata, da mesma direcção de informação. Ei-la de regresso à TVI… numa acção de publicidade.

6 - No sábado, Vinhas e a EDP ocuparam sete minutos em directo num noticiário da TVI 24. Entrevistada sobre uma acção da EDP, da EDP, da EDP. Uma pouca-vergonha. Há directores das TVs que batem no peito pela sua honra, ética, etc., e depois é o que se vê.

Ainda
Chega ao fim ‘O Povo que Ainda Canta’ (RTP 2), conteúdo exemplar de serviço público. Recolheu e deu voz à música e às lengalengas da sociedade tradicional que subsistem por todo o país. Sempre ocultada e até escarnecida pelos media generalistas, entregues à música comercial contemporânea, este programa acarinhou e dignificou uma cultura antiga que esses media escorraçaram.

Subserviência
Escreveu no ‘CM’ João de Sousa, preso como Sócrates em Évora, que o ex-primeiro-ministro confirmou um facto sobre o qual eu já escrevera no ‘CM’: foi o próprio Sócrates quem indicou Afonso Camões para dirigir o ‘Jornal de Notícias’, meses antes de ser detido. Revela o poder que o ex-primeiro-ministro ainda tinha e a subserviência e a ligação político-empresarial do grupo que nomeou o director do ‘JN’.
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