Simplesmente autocensura, Marisa

Eduardo Cintra Torres

Simplesmente autocensura, Marisa

Concentrando-se na crítica ao Presidente da República, Marisa Matias evita falar do Governo que o seu partido apoia. É um comentário partidário.
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Por Eduardo Cintra Torres|08.04.16
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O Bloco de Esquerda chegou ao comentário político pela porta grande, no ‘Jornal das 8’ de sábado. Já não se poderá queixar mais. Há um lado fraudulento no comentário de Marisa Matias: pretende concentrar-se no ataque ao Presidente da República. Porquê?

Porque o Bloco está na maioria de apoio ao Governo e quer tornar-se um partido de governo. Evitando comentar a acção governativa e parlamentar, revela que é um comentário partidário. Ao colaborar com esta agenda partidária, a TVI abdica do jornalismo.















O nome do comentário — ‘Simplesmente Marisa’ — evoca o célebre folhetim ‘Simplesmente Maria’. Matias escolheu deliberadamente a personagem. Começou mal. Disse que, na Batalha de Ourique, D. Afonso Henriques combateu os castelhanos. Foram os mouros.

Revisionismo histórico também no Congresso do PSD: a solista do Hino Nacional trocou "Entre as brumas da memória" por "Sobre as brumas". A telecobertura do Congresso também ficou marcada pelo revisionismo "comentatal": mais comentários que notícias.

O National Geographic estreou ‘História de Deus’, série documental sobre os elementos fulcrais das religiões do Mundo. Uma série séria, pausada, sem proselitismo, que o actor Morgan Freeman não só apresenta como é motor, interveniente, da narrativa.















A RTP estreou ‘Aqui Tão Longe’, pretendendo iniciar a produção de séries, afastando-se das novelas, que a concorrência já tem que chegue. Mas, nas séries, tem a brutal concorrência do que vem de fora. ‘Aqui Tão Longe’, fraquinha, não deixa marca.

Bonzinhos
A TVI alterna entre a javardice dos derivados do ‘Big Brother’ e a inocência das crianças, em ‘Pequenos Gigantes’. O reality bonzinho regressou para vencer ‘Got Talent’, o reality bonzinho da RTP. A gente vê estes programas e convence- -se de que Portugal é o país com mais talentos e com mais ternura de todo o Mundo. Chega segunda-feira de manhã e esquece-se deles. Servem para isso.

Telecarreiras
António José Seguro disse o que já sabíamos: Costa na SIC N e Marcelo na TVI puderam construir êxitos políticos, um no PS, outro na Presidência. Disse que a carreira feita nos media substitui o aparelho partidário (como se viu no caso dele e se vê com Trump, não tarda candidato à revelia dos barões do partido republicano). Só não disse se há alternativa. Eu acho que não há.
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