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Eduardo Cintra Torres

Televisão é um novo media

O jornalismo é uma necessidade essencial das sociedades democráticas.

Eduardo Cintra Torres 8 de Novembro de 2015 às 00:30
A transformação da Internet no mais democrático meio de comunicação da História motiva debates sobre qual o futuro de meios como a TV. Esta, a imprensa e a rádio ganharam o nome de ‘velhos media’, e plataformas digitais como Youtube, Twitter ou Facebook o de ‘novos media’. A Universidade da Beira Interior organiza este mês uma conferência chamada precisamente ‘Televisão e Novos Meios’.

A lei da vida implica que os velhos morrerão para deixar lugar aos novos. Mas…

Todos os media, ‘velhos’ e ‘novos’, usam a técnica digital e a Internet. Este artigo pode ler-se no velho e maravilhoso media que é o papel ou no site do CM. Ou, através de um link, no Facebook ou no Twitter. Jornais, rádios e canais de TV estão na Internet, ou melhor, são Internet como qualquer outra coisa que lá esteja.

Os ‘velhos’ adaptaram-se ao novo ambiente. A TV, esse grande camaleão, não só se ‘infiltrou’ na net como criou novos géneros, conteúdos e formas de ser e estar em todo o lado. A sua linguagem e os conteúdos são copiados por todos os outros media e por milhões de instituições não-televisivas, por grupos de pessoas e por indivíduos. A linguagem televisiva tornou-se, nos seus códigos de comunicação, uma linguagem tão universal como o inglês. Toda a gente a entende. Toda a gente a usa. Toda a gente a partilha. Portanto, a televisão é um novo media. É, ao mesmo tempo, um velho media, um media de meia-idade e um novíssimo media.

O aspecto institucional da TV, os canais e as plataformas, já não se confunde com o media, quer dizer, a sua tecnologia, linguagem e conteúdos. E mesmo as plataformas e canais se adaptaram.

A televisão só em parte envelheceu: o modelo de TV centralizada, de massas, "para toda a família", enfraqueceu, mas subsistirá enquanto a sociedade o viver. Quanto ao jornalismo, é de tal forma uma necessidade essencial das sociedades democráticas que pura e simplesmente não desaparecerá, na forma televisiva ou em qualquer outra.

Mas a Internet provoca a fragmentação de meios, recursos, conteúdos e públicos. Enfraquece media como os "grandes canais". Até que ponto podem conviver com outras formas de usar a TV? A meu ver, todas as sociedades precisam de centralidades, de centros mentais, como o poder político, as religiões maioritárias, os desportos maioritários. Basta imaginar o caos social se, de repente, acabassem todos os grandes canais, os grandes jornais e as grandes rádios. São precisos centros, e a TV, na forma actual, ainda disponibiliza centros principais da sociedade.

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Vamos todos na nave dos loucos
‘A Nave dos Loucos’, sátira alemã de 1494, terá inspirado Hieronymus Bosch para uma pintura com o mesmo nome. Em 1509, Erasmo escreveu, na mesma linha, ‘O Elogio da Loucura’. E em 1517, quase todas as personagens da ‘Barca do Inferno’, de Gil Vicente, preferem entrar nesta do que na da Glória.  É onde estamos, na política nacional. Nas televisões, tudólogos comentam a loucura normal. Na entrevista de 42 minutos à SIC, António Costa mostrou a calma dum alucinado que sabe que puxa o país para o abismo. O país sabe, mas está paralisado pela ambição dum homem que, à SIC, hesitou quando ia falar num "acordo histórico". Não disse o adjectivo. No fundo, Costa sabe que a História não será meiga com ele.

Em França também há mordaça
O jornalista responsável pela informação meteorológica do principal canal de televisão estatal francês, France 2, foi despedido por delito de opinião. Philippe Verdier publicou um livro sobre alterações climáticas que desagradou ao poder político. Como cá, a luta pela liberdade de expressão prossegue em democracia.
opinião Eduardo Cintra Torres
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