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Eduardo Cintra Torres

Umbigo do presidente, umbigo de todos nós

Vivemos numa bela aldeia em forma de país, onde tratamos por tu o umbigo do chefe de Estado, num hospital cuja entrada parece um barraco.

Eduardo Cintra Torres 5 de Janeiro de 2018 às 00:30
Na imperial França, a hérnia umbilical dum presidente seria um assunto de Estado comunicado num palácio dourado em parágrafos graves assinados por um eterno da Academia. Os jornalistas ouviriam em silêncio reverente a prosa positivista sobre o umbigo!


E em Portugal? Num hospital cuja entrada parece uma espelunca, em improvisos ‘eh pá’ do cirurgião amigo do presidente desde a pré-primária, microfones à compita, diálogos carinhosos, comunicado sobre o funcionamento intestinal do chefe de Estado. Voilà!


Rui Santos, na SIC, disse há dias que o futebol português é um caso de polícia há 30 anos. Pois eu digo-o há mais de 30 anos: foi por isso que deixei de ligar à bola. No comentário, Santos é o único a dizê-lo consistentemente. Merece uma estátua.


George Weah é o primeiro jogador de futebol a ser eleito presidente de um país, a Libéria. Depois dos actores (Evita, Reagan) e dos apresentadores de TV (Trump), faltava alguém saído do terceiro ramo da nova elite da sociedade do espectáculo. Já está.


A RTP 1 começou 2018 com uma das audiências mais baixas de sempre: 8,8% de share, quase 1/3 do canal vencedor no primeiro dia do ano, a SIC, que, como sempre, escolheu filmes acertados para a audiência dos dias festivos. A RTP 1 não vale o que custa.


E o principal canal do Estado acabou o ano numa embrulhada: queixou-se que a Liga não o deixava passar um jogo do FC Porto, que prometera aos espectadores, mas a Liga esclareceu que a RTP optara por um do SL Benfica, perdendo o direito de preferência.


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Os mais vistos do ano são por norma jogos da bola, mas trata-se de eventos singulares, sem presença regular. O que conta para o ‘campeonato’ dos canais são os programas do dia-a-dia, como as novelas e os noticiários. Esses é que acumulam para o top final do ano. E, mesmo assim, houve nove episódios de novelas (TVI e SIC) no topo dos mais vistos em 2017, um fenómeno nacional.

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Dois jornais - ‘Público’ e ‘Expresso’ - escolheram os melhores programas de TV de 2017. O diário não mencionou um único programa português. No semanário, apenas um dos críticos escolheu um programa português, entre uma dezena. E o retrato está certo. A indústria televisiva portuguesa não quer nem pode concorrer com as melhores produções internacionais disponíveis, também, nos nossos ecrãs.
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