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Eduardo Dâmaso

Sócrates e a indiferença

A indiferença que invoca talvez radique na força dos indícios.

Eduardo Dâmaso(eduardodamaso@sabado.cofina.pt) 5 de Abril de 2016 às 01:45
Sócrates queixa-se da extensão do prazo do seu processo e da indiferença que rodeia os seus gritos de ex-preso político.

Escrevendo no ‘JN’, cujo diretor escolheu, volta a dizer que não há provas contra si e é alvo de uma ignóbil maquinação judiciária. Tem todo o direito a fazê-lo, mas não sai desta tecla porque sabe que, face a indícios tão fortes, não tem outra saída senão diabolizar a investigação.

Velho recurso político este de criar um inimigo para sustentar a nossa própria vitimização. Afinal, compreende-se. O que poderia Sócrates dizer face à esmagadora carga de indícios que lhe dá a propriedade da casa de Paris? Ou sobre a movimentação dos 30 milhões exclusivamente em seu benefício e da família?

Como poderia explicar a obsessiva linguagem codificada que usa (e todos os seus próximos) para pedir dinheiro ou tratar do mais banal assunto doméstico que implique gastos? Que bizarria poderia justificar tamanha generosidade do seu amigo Santos Silva na mitómana operação de compra do famoso livro que terá escrito? Pouco ou nada poderia dizer.

Talvez, por isso, a indiferença que invoca radique na certeza da opinião pública quanto à credibilidade dos indícios que lhe são imputados e não em qualquer melancolia democrática.
José Sócrates Carlos Santos Silva Operação Marquês
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