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F. Falcão-Machado

Estranha candidatura

Guterres exerceu funções na ONU com dignidade e o sucesso possível.

F. Falcão-Machado 29 de Setembro de 2016 às 00:30
Os mecanismos que regem as Nações Unidas têm, por vezes, algo de misterioso. Quando da fundação das Nações Unidas, os ideais democráticos que as haviam inspirado ficaram esbatidos, em nome do realismo e da relação de forças entre os Estados fundadores, com a criação do Conselho de Segurança, onde os chamados membros permanentes ou ‘Cinco Grandes’ guardaram para si o direito de veto.

Assim, para se entender o que tem impedido a tão desejada reforma das Nações Unidas basta notar que nenhum dos atuais membros permanentes do Conselho de Segurança mostra disposição de abdicar de tal direito.

Foi neste contexto que surgiu, acolhida com amplo apoio, a candidatura de António Guterres ao importante lugar de Secretário-Geral das Nações Unidas. Da folha de serviços prestados por Guterres à ONU destaca-se a dignidade e o sucesso possível com que soube exercer as funções de Alto Comissário para os Refugiados.

Em que medida é que esse prestígio poderá gerar ciúmes ou afetar interesses menos claros, não se sabe. Mas não deixa de ser estranha esta candidatura extemporânea da búlgara Kristalina Georgieva. Esperemos que o prestígio das Nações Unidas e a consensualidade que o cargo de Secretário-Geral exige não acabem prejudicados.
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