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Fernanda Cachão

Ai, meu deus

Ai, meu deus, nós que nunca mais vimos Jesus mexer os olhos recomendamos a Riss uns livros de História.

Fernanda Cachão 5 de Janeiro de 2016 às 00:52
Nos anos 70 foram moda nas salas dos portugueses quadros com últimas ceias e outros ainda de jesus cristos loiros que seguiam com os olhos o espectador conforme este se movimentasse para a esquerda ou para a direita – escusado será dizer o impacto que isto tinha numa criança.

Um ano depois do ataque à redação, o ‘Charlie Hebdo’ publica a edição ‘Um ano depois, o assassino ainda à solta’, e na capa a ilustração de um Deus barbudo, ensanguentado e com uma kalashnikov na mão.

Um milhão de exemplares de uma edição que inclui um caderno com trabalhos dos cartoonistas mortos a 7 de janeiro de 2015 e um editorial em que aquele que foi então gravemente ferido denuncia os "fanáticos alienados pelo Alcorão" e também os "devotos de outras religiões". Escreve ainda o cartoonista Riss que "as convicções dos ateus e dos laicos podem mover mais montanhas do que a fé dos crentes". Ai, meu deus, nós que nunca mais vimos Jesus mexer os olhos recomendamos a Riss uns livros de História.

O ‘Charlie Hebdo’ é muito parecido com estes quadros que foram moda nos anos 70. Proveem a quem os fez mas não movem montanhas.
Charlie Hebdo Jesus religião
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