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Fernanda Cachão

Andamos a dormir

Quando a extrema-direita avançar movida a medo pela Europa vamos perceber que andámos a dormir.

Fernanda Cachão 17 de Novembro de 2015 às 00:30
Há 14 anos, a 11 de Setembro, fomos americanos e depois vimos o Iraque. Há 11 anos ainda estivemos na estação de Atocha, em Madrid.

Há quase dez anos, um vendedor matou-se em protesto contra as condições de vida na Tunísia, os tumultos alastraram no Médio Oriente mas dissemos que era da Primavera. Caiu o ditador da Líbia, a Síria começou a tremer contra Bashar al-Assad e a Irmandade Muçulmana aplaudiu a queda de Mubarak no Egito.

Há dez anos, França esteve em estado de sítio, Sarkozy disse que limpava as ruas com as máquinas que sugam os dejetos dos cães, na sequência dos tumultos provocados pelas mortes por eletrocussão dos adolescentes Bouna e Zyed que fugiam à polícia nos arrabaldes pobres de Chlichy-sus-bois, a 30 quilómetros da capital francesa.

Há 10 meses fomos Charlie – antes de estarmos em Copenhaga – mas ainda achávamos que só dizia respeito a quem se metia com a besta, a que foi agora ao futebol, ao concerto e à pizaria. Quando a extrema-direita avançar movida a medo pela Europa – a começar por França – vamos perceber que andámos a dormir.
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