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Fernando Calado Rodrigues

Chantagem e difamação

O Padre Abel Maia pondera avançar com um processo contra Roberto Carlos por difamação.

Fernando Calado Rodrigues 31 de Julho de 2015 às 00:30
'Experto crede roberto' é uma expressão latina cuja origem é desconhecida. Pensa-se que terá a sua origem num provérbio latino, que é citado na ‘Eneida’ de Virgílio: ‘Experto credite’ (lib. XI, versi 283-285). Que significa: ‘Acreditai no experiente’, a que a Idade Média terá acrescentado o Roberto, talvez para rimar.

No caso de Canelas, V. N. de Gaia, se a experiência é muito discutível, a credibilidade do padre Roberto Carlos foi posta em causa ao não se comprovarem as acusações que lançou contra o Padre Abel Maia.

E é estranho que, mesmo assim, Miguel Rangel, o líder do movimento que apoia a permanência do anterior pároco, continue a defender e a tentar tapar o sol com a peneira. Chega mesmo a afirmar que ele nem sequer fez chantagem! Aqui, sim, aplica-se outro provérbio em bom português: ‘Pior que ser cego é não querer ver’. Ou, como diria Nelson Rodrigues, o brasileiro do óbvio ululante: ‘O pior cego é o míope’.

No dicionário da Porto Editora pode ler-se que chantagem é "obter uma situação vantajosa sob a ameaça de revelações comprometedoras, reais ou fictícias". Não foi isso que o Roberto fez em relação ao bispo do Porto? Não ameaçou ele revelar um comportamento grave de um sacerdote caso fosse removido de Canelas?

Teve azar, porque o bispo do Porto não se deixou chantagear. Em vez de aceder às suas pretensões e tentar abafar o caso, mandou a denúncia para o Ministério Público, que não comprovou as acusações e arquivou o processo.

O Padre Abel Maia pondera agora avançar com um processo contra Roberto Carlos por difamação. Tem todo o direito a fazê-lo, embora haja danos que nunca poderão ser ressarcidos, nomeadamente a perturbação provocada à comunidade de Fafe, que se viu privada do seu legítimo pastor, que, segundo consta, muito estimava e deverá continuar a estimar.

Não sei se juridicamente isso é possível, mas tanto a arquidiocese de Braga como a paróquia de Fafe deveriam poder exigir perante a justiça uma indemnização pelos danos causados na vida da comunidade, fruto das afirmações que vieram a ser declaradas infundadas.

Seria bom que os apoiantes de Roberto Carlos repensassem o seu apoio incondicional e cego a quem parece não o merecer. E, já agora, que não deixassem que as paixões lhes turvem as vistas.
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